A estrada entre o Penedo e Almoçageme, no concelho de Sintra, está cortada à circulação devido à queda de um muro da Quinta de Cima, propriedade da família do advogado Vale e Azevedo, esta quinta-feira, confirmou fonte da Câmara Municipal.

O corte verifica-se no local onde, entre janeiro e agosto, a circulação esteve também interrompida, devido ao risco da queda da estrutura de suporte de terras da quinta.

«Para já, a estrada está fechada devido à derrocada e agora vai ser preciso analisar o que aconteceu», esclareceu uma fonte da Câmara de Sintra, desconhecendo-se até quando a via irá permanecer encerrada.

A população da aldeia do Penedo esteve impedida, durante cerca de sete meses, de utilizar a estrada, vedada à circulação devido à ameaça de derrocada do muro da Quinta de Cima, nas Casas Novas, propriedade da família do advogado Vale e Azevedo.

O muro, com cerca de quatro metros de altura e 100 metros de comprimento, encontrava-se muito degradado, fendilhado e inclinado para a estrada, e a Câmara de Sintra decidiu vedar o acesso por precaução.

A população teve de passar a fazer um percurso alternativo «entre sete e oito quilómetros», optando pelo Pé da Serra ou por Colares, com maior prejuízo para as pessoas sem transporte próprio «ou para as crianças na deslocação para a escola», explicou José Pereira, residente no Penedo e comerciante em Almoçageme.

Após vários meses de negociações com a Câmara de Sintra, que admitiu expropriar a quinta e realizar obras coercivas, a proprietária, Filipa Azevedo, avançou com os trabalhos em meados de julho e a reparação demorou pouco mais de duas semanas.

«Reconstruímos o muro como era, com base na técnica de pedra sobre pedra, e foi melhorada a drenagem das águas para que tão cedo não volte a ter mais problemas», disse à agência Lusa, aquando da reabertura da estrada, Filipa Azevedo.

Apesar das garantias da proprietária, o muro não resistiu ao mau tempo e, na quinta-feira, «por volta das 12:00, caiu sobre a estrada», contou José Pereira.

«Estou preocupado, porque as pessoas não podem voltar a ser prejudicadas. Já chega os seis meses e meio que andaram a fazer mais quilómetros nos desvios», afirmou Rui Santos, presidente da Junta de Freguesia de Colares, confirmando que o muro desabou na zona que tinha sido intervencionada.

O autarca revelou que informou o empreiteiro, a proprietária e a Câmara de Sintra, que «vão apurar responsabilidades».

Rui Santos adiantou que o mau tempo levou também ao corte da estrada entre Colares e Monserrate, na ligação à vila de Sintra, devido a um deslizamento de terras na zona da Eugaria, situação em acompanhamento pela empresa Estradas de Portugal.