O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) decidiu suspender a greve marcada para a próxima semana, confirmou a TVI, junto do presidente, José Carlos Martins. O mais antigo e mais representativo sindicato de enfermeiros tinha uma greve agendada para os dias 3,4 e 5 de outubro.

Não há acordo entre o SEP e o Governo", frisou José Carlos Martins, revelando, contudo, que a estrutura foi confrontada com uma "nova proposta" na reunião desta sexta-feira, em que o Executivo se fez representar pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, e pela secretária de Estado da Administração Pública, Maria de Fátima Fonseca.

Segundo o sindicalista confirmou à TVI, face à nova proposta do Governo, "a CNESE [que agrupa o SEP e o Sindicato dos Enfermeiros da Madeira] fez uma contraproposta em plena reunião, à qual a tutela não teve capacidade de responder".

Com uma nova reunião agendada para 9 de outubro, os sindicalistas decidiram suspender a greve marcada para a próxima semana.

Esperamos que apareçam respostas, porque não nos deteremos para convocar novos processos de luta", avisou José Carlos Martins. 

Avanços na proposta do Governo

De acordo com o presidente do sindicato, a nova proposta do Governo mostra alguma "evolução".

No que respeita às horas de qualidade, sera reposto o valor na íntegra em 2018, não em abril, mas logo em janeiro", explicou o presidente do SEP.

Quanto às 35 horas de trabalho semanais, registou-se também uma evolução, com o Ministério a aceitar que a transição das 40 para as 35 horas seja concretizada a 1 de julho e "já não no segundo semestre, como antes propunha".

Estas matérias serão concretizadas através de um acordo coletivo de trabalho que começa a ser discutido em 16 de outubro, "numa reunião de início de negociação", sendo que o Governo terá aceitado a "contagem de tempo de service exercido para efeitos de progressão na agrelha salarial", Segundo contou à TVI, José Carlos Martins.

Braço de ferro nos especialistas

No que respeita à diferença de remuneração dos enfermeiros especialistas e à revisão da carreira, o Governo manteve a proposta de um suplemento de 150 euros a cada profissional, até à revisão da carreira.

É totalmente inaceitável", considerou o presidente do SEP, que defendeu na reunião um acréscimo salarial de 412 euros de acréscimo salarial para os enfermeiros especialistas, algo que até o primeiro-ministro considera "uma ilusão".

A proposta da CNESE passa também pela revisão de carreiras até final do primeiro semester de 2018", sublinhou José Carlos Martins.

SE adia pré-aviso

Também após reunião no Ministério da Saúde, o Sindicato dos Enfermeiros (SE) decidiu adiar a entrega do pré-aviso de uma nova greve.

Segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), José Azevedo, na reunião com o Ministério da Saúde estiveram a ser negociados fundamentalmente aumentos de remuneração e as 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros.

Ficou de nos ser enviado na quarta-feira um novo memorando. Adiámos para já a entrega de um pré-aviso de greve, mas podemos fazê-lo na quarta-feira. Não se trata de um cancelamento da greve que temos prevista, de maneira nenhuma. É um adiamento da entrega do pré-aviso”, afirmou José Azevedo à agência Lusa.

O horário de 35 horas de trabalho semanal para todos os enfermeiros e o retomar das negociações do acordo coletivo são reivindicações apresentadas pela Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), da qual faz parte o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE).

Este sindicato pretendia realizar uma nova greve de cinco dias, com início a 16 de outubro.

Entretanto, decorre esta sexta-feira uma outra reunião negocial entre o Ministério da Saúde e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), o mais antigo e mais representativo, que tem uma greve agendada para 3,4 e 5 de outubro, na próxima semana.