O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendeu esta segunda-feira que a falta de médicos nas urgências hospitalares resolve-se com o recrutamento de recém-especialistas e com salários atrativos, depois de conhecidos casos, alguns fatais, de esperas de várias horas.

Em comunicado, o SIM sustenta que «a solução para este problema terá de passar por um planeamento adequado» dos médicos com idade para trabalhar nas urgências, «o que só se conseguirá com a abertura de concursos públicos, para recrutamento de recém-especialistas, e pela criação de condições remuneratórias e de trabalho motivadoras e atrativas».

Um homem morreu nas urgências do hospital de Santa Maria da Feira enquanto esperava para ser atendido.

O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, ao qual pertence a unidade de Santa Maria da Feira, anunciou a abertura de um «processo de averiguações».

O caso surge relatado dois dias depois da notícia de utentes das urgências do hospital de Évora terem aguardado mais de 18 horas para serem atendidos, devido à falta de médicos.

Uma semana antes, na madrugada de 27 de dezembro, um idoso morreu no Hospital São José, em Lisboa, vítima de um Acidente Vascular Cerebral, alegadamente por ter esperado mais de seis horas nas urgências por assistência médica. O Centro Hospitalar de Lisboa Central, do qual faz parte a unidade, decidiu abrir um inquérito.

A polémica em torno da carência de médicos nas urgências dos hospitais voltou a surgir depois de, no Natal, o Hospital Amadora-Sintra ter registado esperas de 20 horas, devido a um elevado número de doentes com patologia mais grave e à falta de clínicos escalados por razões de saúde.

Posteriormente, para colmatar a situação, o Ministério da Saúde autorizou os hospitais que necessitem de reforço de equipas a contratarem excecionalmente mais médicos, com um valor acima do que está definido na tabela, ou seja, além dos 30 euros à hora.

Além disso, deu instruções aos centros de saúde da Grande Lisboa para alargarem os seus horários de atendimento, pelo menos a 30 e 31 de dezembro e a 02 de janeiro últimos, para evitar idas desnecessárias às urgências hospitalares.