Os trabalhadores portugueses fizeram 80 greves em 2008, 39 das quais parciais, um número que deverá ser inferior aos registados nos últimos dois anos, segundo uma análise da Lusa com base nos dados disponíveis.

De acordo com dados analisados e fornecidos pela CGTP, em 2008 foram concretizadas 41 greves de dia inteiro, que decorreram ao longo de 71 dias, algumas delas durante vários dias seguidos.Ao longo dos 12 meses do ano passado foram concretizadas 39 greves parciais, que decorreram durante algumas horas em 185 dias.

Não foram contabilizadas as greves às horas-extraodinárias ou fora do período normal de trabalho nem os pré-avisos de greve emitidos com o objectivo de permitir a participação em manifestações.

A CGTP admitiu que a listagem fornecida pode pecar por defeito.

Os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério do Trabalho são relativos a 2007 - os do ano passado não estão processados - e indicam que foram feitas 99 greves em 2007 e 155 em 2006.

Da contabilização dos dados facultados pela central sindical pode se concluir que o último trimestre do ano, e em particular o mês de Dezembro, foi o período em que se registou o maior número de dias de greve total, respectivamente 33 e 21 dias.

Para estes resultados contribuíram as paralisações dos trabalhadores dos CTT, que paralisaram durante 4 dias em Dezembro, dos trabalhadores da recolha do lixo do Porto (que pararam 6 dias), da limpeza urbana de Lisboa (4 dias).

No mês de Dezembro foram cumpridas 7 greves totais e 3 parciais.

Os meses de Maio e Julho foram os que tiveram menos greves totais - uma em cada um deles.

Os trabalhadores dos CTT foram os que paralisaram durante maior número de dias - um total de 13 -, seguidos dos trabalhadores da Iberlim (limpeza de aviões) - com 9 dias de greve - e dos trabalhadores da recolha do lixo do Porto - com 8 dias de greve.

A administração pública fez um dia de greve em Março de 2008 e outro em Outubro, os professores paralisaram um dia, a nível nacional, em Dezembro.

As greves parciais atingiram o seu pico em Março, com um total de 8 greves que decorreram ao longo de 30 dias, e em Julho, com um total de 7 greves que decorreram em 53 dias.

Para isto contribuíram as greves dos trabalhadores da Groundforce - que paralisaram duas horas (uma por turno) ao longo de 13 dias pela revisão salarial- e da Caetano Cascão Linhares (do sector rodoviário do norte) - que paralisaram nas primeiras quatro horas e meia durante 15 dias.