A adesão à greve dos trabalhadores da saúde, que esta sexta-feira cumprem uma paralisação nacional de 24 horas, ronda os 80% na região norte, de acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte.

Em declarações à agência Lusa, Orlando Gonçalves adiantou que, até por volta das 07:30, e cerca de meia hora antes da mudança de turno para o da manhã, em termos de média a adesão à greve era de 80%.

“Em termos de média, na região norte é de uma adesão de 80% no turno da noite. No [hospital Eduardo] Santos Silva [Vila Nova de Gaia] é superior, acima dos 90% e muito próximo nos 100%, mas depois nos outros anda nos 70/80%, o que dá uma média de 80% no turno da noite”, explicou Orlando Gonçalves.


Auxiliares, administrativos, técnicos de diagnóstico e terapêutica e profissionais do INEM são os trabalhadores que aderem à greve, que deverá afetar vários serviços, como cirurgias programadas ou consultas, embora o pré-aviso também contemple enfermeiros e médicos que queiram aderir à paralisação.

De acordo com Orlando Gonçalves, entre as exigências que motivam a greve, está a falta de pessoal nos serviços de saúde, além da reposição das 35 horas de trabalho semanal para os profissionais, a negociação de carreira especial dos técnicos de diagnóstico e terapêutica e a criação da carreira de técnico superior de saúde, entre outras.

“A falta de pessoal nos serviços de saúde leva à desregulamentação de horários, com trabalhadores a fazer turnos de 12/13 e 16 horas, o que cria uma carga inaceitável para os trabalhadores e provoca absentismo e uma prestação de mau serviço ao utente, ninguém consegue trabalhar tantas horas seguidas com a mesma capacidade como se tivesse um horário de oito horas”, explicou à Lusa.


Por seu turno, Luis Pesca, da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, adiantou à Lusa ser ainda cedo para fazer um balanço geral sobre os dados da greve, lembrando que numa primeira contagem a nível nacional, a “adesão situa-se entre os 80 e ao 100%”, com os hospitais a funcionarem, na sua maioria, em “serviços mínimos”.

A divulgação dos primeiros resultados oficiais do dia está prevista para as 11:00 de hoje, no Hospital de São José, em Lisboa.

O Sindicato contesta a municipalização dos cuidados de saúde primários, a entrega de hospitais do SNS às Misericórdias e exige ainda uma discussão pública e alargada sobre o serviço público de saúde, para que "não se volte a assistir a dezenas de pessoas nos corredores dos hospitais", como no último inverno.

A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais alega que esta greve tem como principal objetivo a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), esperando, por isso, contar com a compreensão da população.