Representantes dos trabalhadores dos aeroportos portugueses garantiram esta terça-feira que falta informação e formação nesses locais, e que quem trabalha nos aeroportos desconhece o que fazer perante uma suspeita de vírus de ébola.

Numa altura em que se contabilizam já mais de 1.500 mortos com a doença, quatro sindicatos que representam trabalhadores dos aeroportos alertam, em comunicado, para «a ausência de informação/formação» e lembram que só os aeroportos explorados pela ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) são utilizados por 32 milhões de passageiros por ano.

O comunicado surge depois de várias reuniões realizadas entre o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas e Sindicato de Hotelaria do Sul.

Aos trabalhadores que representam «é denominador comum» o «desconhecimento de qualquer procedimento operacional quando existe suspeita de um passageiro ou passageiros portadores de vírus», como também desconhecem equipamentos de proteção individual adequados para eventuais situações suspeitas.

As organizações pediram uma reunião com o diretor-geral da Saúde, Francisco George, para tirar dúvidas, mas também para «reiterar a necessidade de implementação de um procedimento eficaz, que passe por ações de formação/informação aos trabalhadores nos aeroportos, assim como o acesso a equipamento de proteção individual que se considere necessário», diz o comunicado.

Em agosto, a Direção Geral da Saúde começou a promover sessões de esclarecimento aos funcionários do Serviço SEF sobre o vírus do Ébola, para os «habilitar a discutir e aconselhar» os viajantes sobre a matéria. As sessões tiveram início a 22 de agosto, no aeroporto do Faro.

A 11 de agosto começaram a ser colocados cartazes e folhetos dirigidos, principalmente, a viajantes que estiveram em países afetados pelo vírus Ébola, com os procedimentos que devem ser adotados, poucos dias antes de o Instituto Nacional de Emergência Médica testar os procedimentos.

A DGS indicou ainda o número 800242424 para aconselhamento de cidadãos e disse ter aberto uma linha direta para médicos e funcionários do SEF, com o objetivo de agilizar a atuação em caso de suspeita, nomeadamente o transporte adequado para os hospitais de referência a nível nacional - São João (Porto), Estefânia e Curry Cabral - e condições de isolamento.

Esta terça-feira, nas Nações Unidas, a presidente da organização humanitária internacional Médicos sem Fronteiras (MSF), Jeanne Liu, afirmou que o mundo está a «perder a batalha» contra a epidemia do vírus Ébola, que continua a progredir na África Ocidental.

«Em seis meses da pior epidemia de Ébola da história, o mundo está a perder a batalha. Os líderes não estão a conseguir travar esta ameaça transnacional», disse Jeanne Liu.

O vírus do Ébola, para o qual não existe tratamento, nem vacina, causou mais de 1.550 mortos em 3.069 casos registados pela OMS, até 26 de agosto.

Destes casos, a Libéria registou 694, a Guiné-Conacri 430, a Serra Leoa 422 e a Nigéria seis.

A OMS indicou hoje que a epidemia já fez 31 vítimas mortais na República Democrática do Congo (RDC), esclarecendo ainda que a doença permanece circunscrita à região noroeste do país.