A administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto divulgou que 70 dos médicos escalados esta sexta-feira fizeram greve, uma percentagem de 28,23%, enquanto o sindicato reclama uma “grande vitória” contra a “prepotência” da administração.

De acordo com dados enviados à Lusa, enquanto no primeiro dia de greve, na quinta-feira, se realizaram a totalidade das marcações nas Unidades de Cirurgia Ambulatória, hoje, de 21 nenhuma se concretizou.

No bloco operatório central, efetuaram-se duas de 18 marcadas, enquanto foram realizadas 2.493 consultas de um total de 2.820.

Por seu lado, da parte do Sindicato dos Médicos do Norte, Merlinde Madureira disse que “houve uma maior adesão de colegas, nomeadamente na cirurgia”, mas não quis avançar números.

No entanto, em modo de balanço da greve que decorreu na quinta-feira e hoje, Merlinde Madureira disse que “mais do que o descanso compensatório, mais do que a não-aplicação da legislação correta”, o que uniu os médicos “foi o posicionamento do conselho de administração”, que se pauta “por uma atitude de prepotência e de intimidação que não pode ser aceite pelos profissionais”.

A sindicalista realçou que, já fora das horas de serviço do sindicato na quinta-feira, a administração do IPO do Porto fez chegar uma carta, assinada pelo vogal Ilídio Cadilhe, segundo a qual “o IPO do Porto está, naturalmente, aberto a receber e ouvir a posição do sindicato, apesar de ainda aguardar da tutela um esclarecimento sobre os termos do processamento do descanso compensatório”.

“Se realmente havia uma tão grande abertura para o diálogo, o diálogo realizava-se [quinta-feira]. Dirigiam-se ao sindicato e nós com certeza que iríamos, porque insistimos ‘n’ vezes para nos reunirmos”, frisou Merlinde Madureira.


Na resposta à administração, a direção do sindicato realçou que “privilegia a via do diálogo e da negociação, pelo que [fica] a aguardar (…) a proposta de uma data e agenda para o mencionado encontro”.

A greve decretada pelo Sindicato dos Médicos do Norte visou protestar contra a ilegalidade de os médicos “continuarem impedidos de cumprir o descanso compensatório, após o trabalho noturno”, como disse na quinta-feira a sindicalista Joana Bordalo e Sá à Lusa.

De acordo com o sindicato, esta situação obriga os clínicos a trabalharem “pelo menos 30 horas seguidas, colocando em risco a saúde e segurança dos doentes oncológicos”, mas, em declarações recentes à Lusa, a administração do Instituto de Oncologia do Porto considerou esta paralisação “inoportuna e injustificada”