O Sindicato da Pesca do Sul disse que «a prudência não enche barrigas», depois de a ministra do Mar ter pedido aos profissionais para não arriscarem com mar adverso, após a morte de um pescador em Olhão.

 

A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, lamentou o acidente que causou a morte a um pescador em Olhão, deixou «uma palavra para a família» enlutada e alertou a comunidade piscatória nacional para que «não arrisque quando se verifiquem situações de mar difícil».

 

Num comunicado divulgado esta terça-feira, o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul criticou a falta de verbas no Orçamento do Estado para 2015 destinadas a desassoreamentos na costa algarvia e sublinhou que o acidente ocorreu na barra do Armona, ilha barreira da Ria Formosa, cujo assoreamento a comunidade piscatória denuncia há uma dezena de anos.

 

«O problema dos assoreamentos, na costa algarvia, tem de merecer uma maior atenção da ministra e do Governo, para que não aconteçam mais acidentes ou naufrágios e não venha a aumentar o número de mortes entre os pescadores. É com enorme preocupação que não vemos no OE para 2015 verbas destinadas à urgência dos assoreamentos dos portos e barra», pode ler-se no comunicado do sindicato.

 

O texto refere que Assunção Cristas veio «pedir aos pescadores uma maior prudência, num momento em que a sua barriga não se alimenta com a maior prudência sugerida pela senhora ministra».

 

O sindicato recordou a interdição de captura de conquilhas a que os pescadores da pesca da ganchorra estiveram sujeitos entre 3 de julho e 24 de outubro e que essa espécie é a que mais é capturada pelas embarcações como a que naufragou esta terça-feira com dois tripulantes a bordo, tendo um deles morrido e outro sido levado para o hospital.

 

«Outras vezes há a interdição de todos os moluscos bivalves, o que tem como resultado final a ausência total de rendimentos nos agregados familiares destes profissionais», acrescentou.

 

Por isso, o sindicato considera que Assunção Cristas devia «pedir aos seus serviços era uma maior rapidez no deferimento das candidaturas apresentadas no âmbito do Fundo Compensação Salarial dos Profissionais da Pesca», que «demoram meses e meses a chegarem à posse dos camaradas pescadores».

 

«São estas lamentáveis situações que por vezes estão na origem destas tragédias», advertiu a estrutura sindical, frisando que «as últimas dragagens na Ria Formosa ocorreram há cerca de 14 anos» e há oito anos que o sindicato insiste na necessidade de realizar esse trabalho na barra da Armona.

 

«Em maio de 2006, voltámos a insistir na importância da dragagem desta Barra, o que permitiria não só uma maior entrada de água na Ria Formosa, como uma maior segurança para a entrada e saída das embarcações de pesca», pode ainda ler-se no comunicado o sindicato.