O Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional (SICGP) anunciou hoje que vai avançar até dezembro com dois períodos de greve no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra.

O presidente do SICGP, Júlio Rebelo, disse à agência Lusa que os guardas prisionais foram confrontados com «alterações aos tempos de trabalho» que passam por «obrigar» o efetivo a fazer horários mais prolongados, chegando, nalguns casos, a trabalhar 18 horas seguidas.

«No total, um guarda prisional recebe 170 horas mensais, mas um elemento do corpo de guardas chega a trabalhar 240 horas por mês. Já não recebemos essas horas e agora querem aumentar o horário de trabalho, o que poderá fazer com que um guarda trabalhe 18 horas seguidas», disse o sindicalista à Lusa.

Júlio Rebelo adiantou que os guardas prisionais do estabelecimento, onde se encontra o ex-autarca de Oeiras, Isaltino Morais, e os detidos do processo Casa Pia, vai avançar com dois períodos de greve de vinte dias cada entre 10 de outubro e 31 de dezembro.

O sindicato referiu ainda que há outro conjunto de situações contestadas pelos guardas, como «a falta de condições de segurança no trabalho, a falta de uma messe ou o facto de estarem impedidos de contactar via telemóvel com o exterior quando se encontram ao serviço na zona prisional».

Júlio Rebelo contestou ainda o facto de «os guardas não terem uma zona para estacionar as suas viaturas», adiantando que vários veículos já foram alvo de furtos por se encontrarem no exterior do estabelecimento prisional.