A dirigente da Federação Nacional da Educação Lucinda Dâmaso disse, esta quinta-feira, considerar que os professores não vão aceitar a proposta apresentada pelo Governo sobre rescisões por mútuo acordo, referindo que a base que a sustenta é «muito minimalista».

Em declarações à agência Lusa, a vice-secretária geral da FNE, Lucinda Dâmaso, explicou que a proposta enviada na quarta-feira pelo ministério da Educação à estrutura sindical, irá ser «analisada em órgão próprio entre hoje e amanhã [sexta-feira]».

«Da leitura linear que fizemos do documento, consideramos que parte de uma base minimalista muito baixa. (¿) Não é nada aliciante para um professor que tenha cerca de 50 anos receber 1,25 por cada ano de trabalho [já que] na expetativa da aposentação ser, a partir de agora, aos 66 anos, tem mais 16 anos para trabalhar e não vai encontrar trabalho fora da profissão de docente neste momento», argumentou Lucinda Dâmaso.

Para a vice-presidente da FNE, é normal numa rescisão por mútuo acordo «ambas as partes quererem ganhar». Mas para a sindicalista, o ministério da Educação quer fazê-lo dizendo «que tem professores a mais e quer que alguns queiram a rescisão amigável».

No entanto, a responsável considera que a proposta «não será aceite pelos professores», sublinhando que as bases da rescisão têm de ter «um atrativo diferente».

Lucinda Dâmaso lembrou ainda o que aconteceu com os trabalhadores não-professores da administração pública, que tiveram uma proposta de rescisão igualmente baixa e consequentemente não aderiram ao processo de rescisões amigáveis.

«Houve um conjunto muito pouco expressivo de trabalhadores a aderir, pelo que pensamos que, com esta proposta, [a adesão] também não irá acontecer. Para se aderir há que haver ganhos de causa», referiu.