O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou hoje a «extrema carência» destes profissionais no distrito de Viana do Castelo, defendendo a contratação de mais 400 para fazer face às necessidades da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

«Isto é uma Unidade Local que comporta dois hospitais, além de todos os agrupamentos de centros de saúde do distrito, e só tem 804 enfermeiros. Na nossa perspetiva precisaria de cerca de 1.200», afirmou aos jornalistas Guadalupe Simões da direção nacional do SEP no final de um plenário realizado em Viana do Castelo.

No encontro onde só participaram cerca de 30 profissionais, segundo o sindicato devido à «sobrecarga de trabalho», não foi decidida nenhuma forma de luta. No entanto, Guadalupe Simões garantiu que os protestos não estão descartados e poderão ser anunciados nos próximos dias como forma de «expressar o grande sentimento de revolta» destes profissionais.

De acordo com a dirigente sindical nesta altura, «há serviços onde os enfermeiros fazem cerca de 900 horas a mais por mês, os turnos extraordinárias que não são pagos e feriados que não são pagos como tal».

Gerido pela Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), o hospital de Viana do Castelo serve cerca de 244 mil pessoas dos dez concelhos do distrito e algumas populações vizinhas do distrito de Braga.

«Nos centros de saúde há enfermeiros que têm a seu cargo 3.200 pessoas quando deveriam ter 1.200 utentes e no serviço de cirurgia do hospital há 30 doentes para dois enfermeiros. Neste quadro de manifesta carência a administração diz que em toda ULSAM só são necessários mais 19 enfermeiros», denunciou.

Para a dirigente sindical trata-se de um número «curioso» porque, justificou, «só no serviço de psiquiatria» do hospital de Viana do Castelo, e «num dos serviços» da unidade de Ponte de Lima «saíram 11 enfermeiros que não foram substituídos».

Segundo dados de 2011 da ULSAM trabalhavam nos hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima, além de 13 centros de saúde, em todo o distrito cerca de 2.600 funcionários.

«Grave carência» no Hospital de Évora

Mas o SEP também denunciou hoje uma «grave carência» daqueles profissionais no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), mas a unidade hospitalar disse estarem asseguradas «a qualidade e a segurança dos cuidados aos utentes».

Segundo o coordenador do SEP no Alentejo, Edgar Santos, «faltam várias dezenas de enfermeiros no HESE», o que está a «levar à exaustão» os profissionais existentes e «diminui a qualidade dos cuidados prestados aos utentes».

O sindicalista falava à agência Lusa na sequência de um plenário de enfermeiros do Hospital do Espírito Santo, realizado hoje à tarde.

Os profissionais decidiram mandatar o sindicato para solicitar uma «reunião, com caráter de urgência, à administração do HESE», com vista à resolução dos problemas que relataram, explicou o dirigente.

«Na sexta-feira, fruto da decisão do plenário, vamos enviar o pedido de reunião», disse Edgar Santos, aludindo a «uma grave carência de enfermeiros» no HESE: «Há serviços em que faltam 11 enfermeiros», exemplificou.