A Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (UNCC/PJ) conta com cerca de 100 inspetores para investigarem mais de 4.600 processos-crime, revelou à agência Lusa a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ).

O presidente do sindicato, Carlos Garcia, realçou que, além do problema de falta de meios humanos, os investigadores da unidade anti-corrupção da PJ se deparam ainda com «meios materiais decadentes».

E ilustrou: «Não há carros, e os existentes apresentam deficiências que podem por em causa a própria segurança dos utilizadores. Os computadores de secretárias são obsoletos (muitos 'refugo' dos tribunais), os portáteis não funcionam (e as impressoras portáteis não existem ou não funcionam, a ponto de muitas vezes nas buscas os autos serem impressos através de impressoras dos buscados». E não há material para acondicionar os documentos apreendidos nas buscas".

Para reforçar estas acusações, o responsável apontou para duas ocorrências concretas que ocorreram recentemente no âmbito das buscas relacionadas com o processo BES (Banco Espírito Santo).

«Numa busca o suporte informático para cópia dos dados de um servidor foi 'fornecido' (leia-se comprado 'adhoc') pelo buscado», afirmou à Lusa Carlos Garcia.

O dirigente sindical contou também que «numa deslocação para uma busca com um interveniente no veículo da polícia, em plena A8 e no decurso de uma ultrapassagem, o carro desligou-se».

Segundo a mesma fonte, «felizmente foi possível encostar, não sem antes haver o perigo de um camião bater no carro, o que obrigou todos quantos se encontravam no interior do veículo a saltar para a berma da auto-estrada protegendo-se pelo rail».

O acumular destas situações, de acordo com Carlos Garcia, levou a que «os comentários do senhor diretor nacional adjunto [da PJ] Pedro do Carmo ao Diário de Notícias dizendo que a PJ tinha os meios necessários para o combate à corrupção» tivessem sido mal recebidas pelos inspetores da UNCC/PJ.

«Caíram tão mal que, na UNCC, foi feito um documento assinado por 90% dos funcionários de investigação criminal (inspetores, inspetores-chefe e coordenadores), no qual demonstram que o que foi dito pelo diretor nacional adjunto, Pedro do Carmo, não corresponde à realidade», adiantou Carlos Garcia.

A Lusa teve acesso ao documento, que foi enviado à ASFIC/PJ, que o remeteu à ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, e ao diretor nacional da PJ, José de Almeida Rodrigues, onde, entre outras denúncias, os investigadores anti-corrupção da PJ se queixam da falta de meios materiais e humanos para desenvolverem o seu trabalho.