Um terço dos jornalistas das empresas Global Notícias e Jornalinveste, do Grupo Controlinveste, fizeram greve esta quarta-feira, segundo dados do Sindicato dos Jornalistas, sendo que os números serão maiores quando considerados outros trabalhadores.

«A greve, que afectou o funcionamento ou paralisou mesmo várias secções com reflexos nas várias publicações [JN, DN, 24 horas e Jogo], constituiu uma expressiva manifestação de protesto e de indignação por parte dos jornalistas e outros trabalhadores face ao despedimento de 119 trabalhadores, que consideram injusto, injustificável e prejudicial», pode ler-se no comunicado do sindicato.

Durante o dia, mais de centena e meia de pessoas manifestou-se em frente ao edifício do Jornal de Notícias, no Porto. Entre os manifestantes encontravam-se boa parte dos despedidos, mas também muitos trabalhadores não abrangidos pela medida - jornalistas e não jornalistas - pertencentes aos quadros dos quatro jornais do grupo, diz a Lusa.

Questão chega ao Parlamento Europeu

Entretanto, a eurodeputada Ilda Figueiredo (PCP) anunciou, em comunicado que fez chegar aos manifestantes, que vai apresentar no Parlamento Europeu uma pergunta parlamentar em que solicita «medidas para apoiar e defender os direitos dos trabalhadores da Controlinveste, tendo em conta também a necessidade de garantir o pluralismo na comunicação social».

A eurodeputada sublinha que os 119 trabalhadores que a Controlinveste vai despedir representam cerca de 12 por cento dos efectivos do grupo. Ilda Figueiredo pretende também que os órgãos da União Europeia informem sobre quais os apoios comunitários concedidos a este grupo e em que condições foram atribuídos.

Jornais não serão afectados

A greve não vai afectar as edições de quinta-feira do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias, asseguraram os directores de informação das publicações.

José Leite Pereira, director do JN, escusou-se a comentar a greve, mas assegurou que se está a «trabalhar com toda a normalidade» na redacção e que não vai haver reflexos nenhuns do protesto «nem na qualidade nem no número de páginas do jornal».

O mesmo afirmou à Lusa João Marcelino, director do DN. «As pessoas têm direito a fazer greve, mas o jornal continua a ser feito por muita gente», disse o responsável, acrescentando que a edição de quinta-feira irá para as bancas com «o mesmo número de páginas e a mesma qualidade de sempre».