A adesão à greve nacional dos enfermeiros rondou os 80% no primeiro turno do primeiro dos dois dias da contestação, disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Em declarações à agência Lusa, José Carlos Martins adiantou que a adesão à greve no primeiro turno veio confirmar a “enorme insatisfação e descontentamento por parte dos enfermeiros e traduziu-se em 80 por cento de adesão no turno da noite”.

José Carlos Martins considerou que os enfermeiros não entendem o porquê da sua classe ser aquela que menos ganha, de acordo com dados do Ministério das Finanças, uma vez que, de entre os licenciados da administração publica, são os “que menos ganham quando comparados com professores e outros técnicos superiores de saúde”.

“Ninguém compreende porque é que os enfermeiros especialistas, que investem um ano e meio em formação, chegam às instituições, melhoram a qualidade dos cuidados, reduzem custos às instituições e ganham a mesmíssima coisa”, salientou o sindicalista.


O líder do SEP exigiu do Ministério da Saúde “uma valorização da carreira dos enfermeiros e das condições do trabalho”, considerando estar demonstrado que, havendo mais enfermeiros e melhores condições de trabalho, estes “salvam mais vidas, reduzem as infeções hospitalares em 30 % e o número de dias de internamento”.

José Carlos Martins disse ainda que se os Centros de Saúde tiverem mais enfermeiros, organizados por famílias, serão reduzidos “milhares de internamentos e idas às urgências”, além de se melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses cumpre desde as 00:00 de hoje o primeiro de dois dias seguidos de greve nacional contra a “degradação das condições de trabalho” destes profissionais e pela valorização da carreira de enfermagem.

Cirurgias programadas, consultas externas e serviços nos centros de saúde devem hoje ser afetados pela paralisação, mas, como em qualquer outra greve, os enfermeiros cumprirão serviços mínimos.

O Sindicato acusa o atual governo de ter poupado cerca de 190 milhões de euros à custa dos enfermeiros, nomeadamente com o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais, com os cortes nas horas de penosidade, bem como através do congelamento de escalões.

Além de mais recursos humanos, o Sindicato insiste na necessidade de valorizar a profissão que tem sofrido vários constrangimentos ao longo dos últimos anos, como congelamento das progressões, corte nos salários, nas horas extraordinárias e nas horas penosas.

Segundo o SEP, metade dos enfermeiros sofre de exaustão física e psíquica e também mais de metade afirma que o seu ambiente de trabalho é mau.