Estalou o verniz entre o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e a UGT. O SNPVAC abandonou a central sindical e esta já reagiu à decisão, considerando que se trata de uma «birra de uma direção vaidosa». As palavras são de Carlos Silva, secretário-geral da UGT, que, em declarações à TSF, teceu duras críticas à direção do SNPVAC, presidida por Luciana Uva.

Carlos Silva acusou a direção de querer lançar os sindicatos uns contra os outros, afirmando que esta saída ocorreu porque a UGT recusou criar «divisões entre os sindicatos».

Em causa está, segundo o secretário-geral, a privatização da TAP e o facto de nove movimentos sindicais terem c hegado a acordo com o Governo e desconvocado a greve agendada por uma plataforma que juntou 12 sindicatos. O SNPVAC, que não assinou o memorando e acabou por manter o pré-aviso de greve, terá exigido à UGT uma posição diferente. 

A UGT reafirma que é contra a privatização da transportadora aérea, mas esclarece que recusou «criar divisões entre os sindicatos» e que a posição tomada não significa que haja falta de solidariedade.

No final do ano passado, a decisão de relançar a privatização da companhia aérea, suspensa em dezembro de 2012, acendeu uma onda de contestação por parte de vários sindicatos ligados à transportadora. Uma plataforma, que juntou 12 sindicatos, decidiu, por isso, marcar uma paralisação. A medida teve resposta do Governo, que reagiu com a imposição de uma requisição civil aos trabalhadores da TAP.

O executivo acabou por aceitar discutir com os sindicatos as condições para manter a TAP em Portugal por dez anos após a privatização da empresa. Um memorando foi assinado pelo governo e por nove sindicatos que desconvocaram a greve. 

Os sindicatos que desistiram do protesto consideraram que conseguiram garantir os direitos dos seus associados e que o acordo com o Governo foi «um ato de responsabilidade e de salvaguarda do futuro». Mas uma opinião diferente teve o SNPVAC. O sindicato não assinou o memorando por ter considerado que o documento não dava quaisquer garantias aos trabalhadores ou aos portugueses. Por isso, manteve o pré-aviso de greve.