O Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SINSEF) anunciou, nesta terça-feira, uma greve para os dias 11 e 12 de agosto para reivindicar “melhores condições” e “maior dignificação” das carreiras não policiais.

Na base da luta dos trabalhadores do SEF não estão “apenas aumentos salariais, mas melhores condições e maior dignificação das carreiras não policiais, de forma a tornar o SEF mais eficaz, num momento particularmente exigente pelas condições internacionais e procura interna”, refere o sindicato, que já entregou o pré-aviso de greve.

Em declarações à agência Lusa, a presidente do sindicato, Manuela Niza, explicou que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem uma componente de cerca de 50% de atividade não policial, sem uma carreira específica que contemple estes funcionários.

A área não policial trata com assuntos e dados altamente sensíveis e confidenciais de enorme interesse e necessários à segurança interna, e não só, e estas pessoas não têm uma carreira específica”, disse Manuela Niza, observando que a parte documental “contribui com 80 milhões de euros para os cofres do Estado”.

Segundo a sindicalista, estes funcionários tiveram uma carreira especial até 2008, ano em que foi extinta e que colocou o SEF na situação de ser o único serviço de segurança a ter metade de atividade não policial.

Nesse sentido, a principal reivindicação da paralisação prende-se com a reativação da “especificidade da carreira que possa integrar os quase 50% de funcionários que estão fora da lei orgânica”.

Toda a gente reconhece a justeza das reivindicações, mas pelos vistos não há vontade política de agir e não podemos todo tempo aceitar como boa a eterna desculpa dos constrangimentos orçamentais quando se verifica noutras circunstâncias que esses constrangimentos estão ultrapassados”, indicou Manuela Niza.

A sindicalista contou que há funcionários a saírem para outros organismos por não verem o seu “trabalho reconhecido, nem em termos salariais, nem de progressão de carreira”.

Hoje mesmo verificámos, com muita satisfação, que foi pedida uma mobilidade interna de pessoas de outros organismos para o SEF, em Diário da República, congratulamo-nos e aplaudimos essa iniciativa por parte da direção nacional, só que a questão vai ser exatamente a mesma”, lamentou.

O sindicato recorda a greve de trabalhadores que realizou há um ano, adiantando que, desde então, “não houve qualquer evolução das promessas ou perspetivas dadas pela Direção Nacional do SEF”.