O Sindicato de Pessoal Técnico da PSP considerou esta terça-feira que o Ministério da Administração Interna (MAI) “continua a desperdiçar meios das forças de segurança”, uma vez que “quase metade dos polícias não faz trabalho de polícia”.

A estrutura sindical reagia assim ao facto de o MAI se preparar para libertar 612 elementos das forças de segurança – Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana (GNR) - de funções burocráticas para missões operacionais, uma medida revelada à Lusa por fonte do MAI, no passado dia 10 de agosto.

Ao referir congratular-se com aquela “pequena, mas simbólica” medida do MAI, o sindicato diz esperar que o Ministério adote as medidas mais racionais e mais eficazes, para bem dos serviços e do país”, lê-se numa nota da estrutura sindical.

Só na PSP, “entre um terço e metade dos seus quase 22 mil elementos estão adstritos a serviços não operacionais (…), ou seja, só na PSP (na GNR será muito mais), desperdiçam-se entre sete a 10 mil elementos operacionais (com formação qualificada, que custou milhões de euros ao erário público), e que podiam ser 'libertos' se se entregassem os trabalhos burocráticos a pessoal técnico (mais especificamente habilitado para o efeito), tal como se faz em praticamente toda a Europa”, lê-se num comunicado da estrutura sindical.

“Por coincidência, no mesmo dia em que o MAI divulgou a 'reabilitação' dos referidos 612 elementos, sabia-se que o ministro das Finanças só autorizou a entrada de 300 novos polícias em vez dos 800 que o primeiro-ministro já prometera”, recorda o sindicato, sublinhando que a formação de 300 novos polícias custará ao erário público cerca de nove milhões de euros, uma vez que a formação para cada novo polícia ronda os 30 mil euros.

Entretanto, sete a dez mil polícias “aguardam voltar às missões operacionais praticamente sem custos”, acrescenta o sindicato, defendendo que a libertação destes novos polícias devia ser feita à semelhança do que acontece na Polícia Judiciária (PJ) e no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em que “os quadros não policiais são preferencialmente ocupados através de concursos de mobilidade interna na Função Pública”.

“Mais racional, mais barato, mais eficaz”, sustenta o sindicato, argumentando que, na PSP, nem o quadro de pessoal técnico previsto é cumprido, já que é preenchido “irracionalmente, por polícias operacionais”.