O número de sem-abrigo sinalizados na cidade de Lisboa baixou para 816, em comparação com os 853 registados no final de 2013, revelou hoje a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

“As estruturas para os sem-abrigo em Lisboa estão a surtir algum efeito”, admitiu a administradora da Ação Social da SCML, Rita Valadas, apesar de salientar a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre as movimentações dos sem-abrigo entre as várias zonas da cidade.


De acordo com a recontagem, foram sinalizados 440 sem-abrigo na rua (em 2013 eram 510) e 376 em centros de acolhimento (343), adiantou a SCML.

A instituição promoveu, entre as 21:00 e as 24:00 de quinta-feira, uma recontagem dos sem-abrigo nas 24 freguesias de Lisboa, envolvendo cerca de 1.200 voluntários, para atualizar os dados obtidos em dezembro de 2013.

“Há uma atenção mais centrada sobre a rua”, reconheceu Rita Valadas, acrescentando que, nos últimos anos, as instituições têm conseguido retirar da rua algumas pessoas, embora ainda seja cedo para assegurar que essas situações se vão manter.

Para já, na recontagem confirmou-se uma redução em Santa Maria Maior, que abrange a Baixa da cidade, onde se registou uma redução de 83 sem-abrigo, em 2013, para 20 na noite de quinta-feira.

Uma diminuição que a administradora da SCML atribui “ao turismo” e consequente animação, levando a uma deslocação para outras zonas, onde os sem-abrigo podem montar as camas mais cedo, ou a uma ocupação mais tardia dos locais de pernoita.

No Parque das Nações também se registou uma diminuição, de 83 para 56, enquanto em Benfica houve uma subida, de seis para 15, assim como em São Vicente, de 21 para 37, e no Beato, de sete para 19.

A primeira contagem, realizada a 12 de dezembro de 2013, envolveu cerca de 800 voluntários, e a recontagem teve a colaboração de juntas de freguesia e de associações que trabalham com a população sem-abrigo.

A recontagem estava prevista para o final deste ano, com o objetivo de se avaliar a evolução da situação dos sem-abrigo em Lisboa, mas foi antecipada devido às condições meteorológicas, uma vez que este mês é mais “ameno” e fora do pico do inverno e do verão, épocas em que esta população é mais volátil e inconstante.

A recontagem visa avaliar o número, a tipologia e eventuais alterações da população sem-abrigo da capital, e Rita Valadas prevê que nas próximas semanas seja possível retirar conclusões mais consolidadas sobre os números agora registados.