O ex-funcionário da Refer Silva Correia, acusado de corrupção, participação económica em negócio e burla qualificada no processo «Face Oculta», vai quebrar o silêncio a que se remeteu desde o início do julgamento.

A informação foi avançada sexta-feira pelo advogado António Esteves, que defende Silva Correia, no final da 162.ª sessão do julgamento que está a decorrer no tribunal de Aveiro.

Até agora, apenas oito dos 37 arguidos aceitaram depor perante o coletivo de juízes (Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos, António Paulo Costa, José António Contradanças, Namércio Cunha, Fernando Santos e Vítor Batista).

A audição de Silva Correia, antigo coordenador do Eixo Douro e Minho, deverá concretizar-se nos dias 9 e 10 de dezembro.

Antes, nos dias 5 e 6, o coletivo de juízes vai ouvir o arguido José Magano Rodrigues, engenheiro da Refer que exerceu funções como coordenador do Núcleo de Via da «Zona Operacional de Conservação do Porto».

Segundo a acusação, os dois arguidos terão beneficiado as empresas do sucateiro Manuel Godinho, o principal arguido no processo, nos negócios com a Refer, violando a fidelidade reclamada pela qualidade de funcionários daquela empresa e infringindo exigências de legalidade, objetividade, imparcialidade e independência que devem nortear o desempenho de funções públicas.

Silva Correia está acusado de um crime de corrupção passiva, dois de participação económica em negócio e dois de burla qualificada, enquanto Magano Rodrigues responde por dois crimes de participação económica em negócio.

Ainda na mesma sessão, o juiz presidente Raul Cordeiro informou que pretende fazer alterações não substanciais dos factos que constam da acusação, que serão comunicadas após a audição do último arguido.

Durante a sessão desta sexta-feira foram ouvidas quatro testemunhas que já tinham sido inquiridas e que estiveram a prestar novos esclarecimentos sobre matérias relacionadas com a Refer.

O processo «Face Oculta» está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho, nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

Entre os arguidos estão personalidades como Armando Vara, antigo ministro e ex-administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.