Mais de 5.000 testes ao VIH/sida e mais de 3.300 à sífilis foram realizados gratuitamente entre agosto do ano passado e março deste ano ao abrigo do projeto “Rede de Rastreio Comunitário” junto de populações potencialmente mais afetadas.

A Rede de Rastreio Comunitário é um dos nove projetos do “Programa Iniciativas em Saúde – EEA Grants” que apresenta esta quarta-feira, em Lisboa, alguns dos seus resultados aos países doadores do mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu.

Portugal recebeu um financiamento de 10 milhões de euros para projetos na área da saúde, em quatro áreas: nutrição, saúde mental, doenças transmissíveis e sistemas de informação. Este programa resultou do memorando de entendimento entre o Estado Português e os estados doadores para redução das desigualdades sociais e económicas.

Promovida pelo Grupo de Ativistas sobre Tratamentos VIH/sida (GAT), a Rede de Rastreio Comunitário pretende promover o diagnóstico precoce do VIH/sida, hepatites virais e outras doenças sexualmente transmissíveis junto de populações mais afetadas (prostitutas, consumidores de droga, migrantes).

Os diagnósticos são conseguidos através de um sistema de rastreio em contextos não formais de saúde, assegurando a referenciação para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de todas as pessoas com resultados reativos.

Rastreios nos centros porta aberta

Segundo explicou à agência Lusa Daniel Simões, do GAT, os centros que realizam os rastreios são “centros de porta aberta”, podendo realizar testes a qualquer pessoa, mas destinam-se maioritariamente a grupos potencialmente mais afetados por doenças sexualmente transmissíveis.

No total, entre agosto de 2015 e março deste ano foram feitos 5.227 testes ao VIH, 1,7% deles reativos. Nas hepatites realizaram-se mais de 3.000 testes (cerca de 3% reativos) e no caso da sífilis foram feitos 3.349 testes, 4% deles deram resultado reativo, segundo os dados recolhidos pela Lusa.

Este projeto, que permitiu ainda treinar 40 pessoas de seis organizações em aconselhamento e rastreio, pretende manter e expandir a Rede até julho deste ano, tendo atualmente mais de 20 pontos de rastreio em todo o país para a hepatite C, B e sífilis, e testes rápidos do VIH/sida (com resultados em um minuto) disponíveis em todas as organizações que aderiram à Rede.

No âmbito dos EEA Grants serão ainda hoje apresentados dados de projetos na área da saúde mental, como o PrimeDep, que pretende capacitar técnicos dos cuidados de saúde primários para tratar a depressão e prevenir o suicídio.

Segundo informação da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) – que é o operador do Programa EEA Grants -, o projeto pretende beneficiar de forma direta e indireta milhares de profissionais e 400 mil doentes e já formou até agora cerca de 900 profissionais.

Na área da nutrição, vão ser mostradas as conclusões de um projeto que pretende melhorar o acesso à alimentação saudável nos utentes de grupos vulneráveis, nomeadamente que vivem em instituições.

Outro dos projetos financiados avaliou a ingestão de iodo em crianças em idade escolar, tendo concluído que 31% das crianças da região do Tâmega apresentavam deficiência daquele elemento, cuja carência pode comprometer o desenvolvimento cognitivo.