Um grupo de suinicultores concentrou-se, este domingo, em frente à Sicasal, em Mafra, e impediu a entrada de três camiões com porcos espanhóis, num protesto contra a crise no sector que põe causa o emprego de 200 mil pessoas.

A posição foi avançada à Lusa por João Correia, porta-voz de um “gabinete de crise” dos suinicultores, criado em dezembro para sensibilizar a opinião pública para o consumo da carne de porco nacional.

Segundo o responsável, a manifestação começou por volta das 16:00 e, cerca de uma hora e meia depois, estavam no local cerca de 100 suinicultores de todo o país.

“Vamos ficar até termos forças”, garantiu João Correia, explicando que a escolha da empresa situada em Vila Franca do Rosário para realizar o protesto deveu-se ao facto de ser a maior da região e de importar produto espanhol.

Segundo João Correia, até às 17:00 os manifestantes impediram a entrada de três camiões de porcos espanhóis.

“Este mercado representa cerca de 600 milhões de euros e neste momento estão 200 mil postos de trabalho em risco iminente”, contou à Lusa o responsável, apontando algumas das medidas que gostaria de ver tomadas como a isenção da TSU (Taxa Social Única), a revisão da taxa do IMI (Imposto Municipal Sobre os Imóveis) aplicado à exploração e do Sistema Integrado de Recolha de Cadáveres (SIRC).

Com estes impostos, os suinicultores queixam-se de estar “a receber 40% abaixo do valor de produção”, apesar de a produção nacional não ter capacidade para responder ao consumo interno – “só produzimos 55% do que o que o país precisa”.

João Correia garante que, em Espanha, as taxas são mais baixas e que, mesmo assim, o porco espanhol é vendido em Portugal a um preço mais alto do que o praticado pelos portugueses.

 

Sicasal garante que trabalha "maioritariamente e preferencialmente" com produtores nacionais

Na sequência desta manifestação, a administração da produtora de carnes e enchidos Sicasal garantiu que trabalha “maioritariamente e preferencialmente” com produtores nacionais, embora reconheça o recurso a produtores espanhóis.

“A Sicasal, marca portuguesa, colabora maioritariamente e preferencialmente com os produtores nacionais, recorrendo a produtores espanhóis quando necessário, uma vez que a produção nacional não é autossuficiente para o consumo interno”, lê-se num comunicado da empresa enviado hoje à agência Lusa.

A empresa, na nota enviada à Lusa, confirma que até perto das 19:00 verificou-se “o bloqueio da entrada de dois camiões da Sicasal, um deles com produto nacional”.

“A Sicasal é parte integrante da fileira de carne nacional e como tal está empenhada em acompanhar de forma sustentável a subida do preço do porco em proporção à subida do valor da carne nacional no mercado”, refere a empresa, acrescentando que esta posição “foi já comunicada presencialmente aquando da participação na reunião do Gabinete de Crise para a Carne e o Leite, criado pelo Ministério da Agricultura”.

 

(Foto de arquivo)