A PSP de Setúbal abriu um processo de averiguações para identificar os elementos que terão estado com o jovem alegadamente agredido com uma bastonada na cabeça e que morreu no passado domingo, revelou esta quarta-feira a direção nacional daquela polícia.

«Já foi aberto um processo de averiguações no Comando Distrital de Setúbal, no sentido de confrontar os elementos que estiveram de serviço naquela madrugada», disse à Lusa Paulo Flor, porta-voz da direção nacional da PSP.

«Por existirem indícios consubstanciados em imagens que identificam dois polícias junto ao rapaz que veio a falecer no domingo passado, naturalmente que temos todo o interesse em perceber o que se passou», acrescentou.


Amigos da família da vítima disseram à Lusa que o jovem alegadamente agredido por elementos da PSP na madrugada de 19 de fevereiro, Nuno Pires, de 35 anos, ainda terá telefonado a uma amiga que tinha acabado de levar a casa, a dar-lhe conta de que teria sido abordado pela polícia e de que teria sido agredido.

O porta-voz da PSP, Paulo Flor, admitiu que há imagens de videovigilância em que aparecem dois elementos da PSP junto do da vítima e que tudo indica que esses dois elementos pertencem ao Comando Distrital de Setúbal, mas assegurou que, até ao momento, a PSP ainda não dispõe de qualquer informação que permita relacionar a morte do jovem com uma intervenção policial.

«Por muitas suspeitas que possam existir - e naturalmente que existirão -, aquilo que nós sabemos é que há uma interação entre dois polícias e o jovem, que tudo indica tratar-se do rapaz que veio a falecer. Mas não há nada, ainda, que ligue inequivocamente a morte deste cidadão a uma intervenção da Polícia de Segurança Pública», acrescentou o porta-voz da PSP.


Nuno Jorge pires foi encontrado numa rotunda junto à estação dos caminhos-de-ferro de Setúbal, por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que passava no local e que o transportou para o Hospital de São Bernardo, em Setúbal.