A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) repudiou, esta sexta-feira, os cortes nos valores dos serviços remunerados, considerando tratar-se «de mais um corte no rendimento mensal» dos militares.

«A APG/GNR rejeita liminarmente mais este corte que, desta vez não será sob o argumento da despesa pública, e que apenas beneficia as entidades que requisitam os serviços, em detrimento do respeito que devia existir pelo esforço dos profissionais da GNR», refere a associação num comunicado.

A APG reagia à portaria, publicada em Diário da República na quinta-feira, que altera os valores a pagar aos elementos das forças de segurança pelos serviços remunerados que prestam em espetáculos desportivos, à exceção dos jogos profissionais de futebol.

Segundo o documento, que entra em vigor no prazo de um mês, «todas as competições desportivas de natureza inferior ao escalão sénior ou equivalente» e «todas as competições desportivas de escalão sénior ou equivalente, de âmbito distrital, local ou nacional» vão passar a pagar aos elementos da PSP e da GNR pela tabela de valores mais baixa, vulgarmente designadamente pela «tabela B».

Segundo a APG, grande parte dos serviços remunerados efetuados pelos militares da GNR são os que agora sofreram alterações, traduzindo-se num corte entre 30 a 40 por cento.

Os serviços remunerados, vulgarmente conhecidos por gratificados, são feitos pelos agentes da PSP e militares da GNR fora do horário de serviço, mas na Guarda Nacional Republicana são obrigatórios.

A APG lamenta que não tenha sido consultada sobre esta matéria, sobretudo quando foi assumido pela tutela que «iria iniciar diálogo e que tinha registado as razões do protesto do dia 6 de março».

A associação profissional sublinha que um dos motivos da manifestação foi a redução do rendimento mensal dos militares da GNR e este diploma «representa mais um corte», uma vez que os serviços remunerados são uma forma dos «profissionais conseguirem ter mais alguns euros no seu vencimento».

Nesse sentido, a APG/GNR vai pedir esclarecimentos ao ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

Também os sindicatos da PSP já criticaram os novos valores dos serviços remunerados, considerando que se trata de «uma diminuição da remuneração» dos polícias, além de lamentarem que a portaria tenha saído em Diário da República «sem ninguém saber».