O presidente da Associação de Pais de Sernancelhe, João Aguiar, denunciou hoje que quatro alunos foram alegadamente agredidos a semana passada por uma professora de música, durante uma Atividade de Enriquecimento Curricular (AEC).

«Eles estavam a portar-se mal e ela decidiu agir dessa maneira», contou João Aguiar à agência Lusa, explicando que os alunos pertencem a turmas do segundo e do quarto anos da escola de Ferreirim, que está a funcionar provisoriamente no Centro de Artes de Sernancelhe.

Segundo o dirigente associativo, as alegadas agressões terão ocorrido em dois dias diferentes e consistido em atos como «cabeça contra a parede, chapadas e apertões de pescoço».

João Aguiar contou que «foi a funcionária do autocarro que viu um miúdo com um grande hematoma na cabeça» e informou a mãe.

«As mães começaram a falar umas com as outras e começou a saber-se. Pensávamos que eram três casos, mas ontem [segunda-feira] houve mais um pai que foi falar com o filho, que lhe disse que também foi agredido», acrescentou.

Fonte da GNR confirmou à Lusa que foram apresentadas no posto de Sernancelhe duas queixas referentes a este caso, por ofensa à integridade física.

João Aguiar referiu que os pais das duas outras crianças devem entretanto também apresentar queixa, por estarem indignados com a situação.

A Lusa tentou, durante a tarde, contactar a direção do Agrupamento de Escolas de Sernancelhe, mas foi informada de que todos os seus elementos se encontravam indisponíveis. Também da Direção de Serviços da Região Norte não foi possível obter uma resposta em tempo útil.

João Aguiar disse que vai também seguir uma queixa para o Ministério Público e para a Inspeção Geral da Educação pela forma como membros da associação de pais foram tratados no agrupamento.

«A diretora chamou a mãe do primeiro aluno que apresentou queixa, porque queria interrogá-lo, e ela pediu-me para ir também para a ajudar», na segunda-feira de manhã, contou.

No entanto, João Aguiar disse ter sido «interditado de entrar» na sede de agrupamento.

«A diretora telefonou à mãe a dizer que ela tinha as portas abertas, mas a associação de pais não. A associação de pais, para entrar, tinha de marcar uma reunião com antecedência», contou.

À tarde, já com outro pai e outro elemento da associação, o grupo deslocou-se novamente ao agrupamento, mas os argumentos repetiram-se, acrescentou.

Segundo João Aguiar, a GNR acabou por ser chamada ao local e os quatro apresentaram queixa no livro de reclamações.

«Quando estávamos na secretaria, um funcionário expulsou-nos a todos, porque só podia estar um pai de cada vez na escola. Os outros pais ficaram à chuva, nem no átrio os deixaram estar, só entrava um de cada vez», lamentou.