O Tribunal Judicial de Nelas condenou quatro traficantes de pessoas a penas de prisão que variam entre quatro anos e meio e dezasseis anos, uma das quais suspensa, anunciou hoje a Procuradoria Geral da República.

Esta condenação pela prática de vários crimes de tráfico de pessoas aconteceu na sequência de uma acusação formulada pelo Ministério Público, no âmbito de um inquérito que correu no Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra.

«Os crimes ocorreram a partir da Região Centro, entre 2007 e 2011, tendo a atuação dos arguidos consistido na atração ardilosa, com intuitos lucrativos, de homens portadores de debilidades várias e sem retaguarda familiar para trabalhos agrícolas no país vizinho», refere a Procuradoria Geral da República, em comunicado.

Os arguidos tinham «residência pendular entre Espanha e Portugal» e «engodaram as vítimas com o anúncio de remunerações vantajosas, transporte, alimentação e alojamento», explica.

Depois de transportarem as vítimas para Espanha, além das «esforçadas jornas» a que eram sujeitas, os traficantes mantinham-nas nas suas residências, «em regra nos sótãos», acrescenta.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, as vítimas eram mantidas "sob controlo apertado e com magro alimento" e os traficantes apoderavam-se "da quase totalidade da remuneração" que elas recebiam, "quer através de recebimentos diretos, quer de levantamentos das contas bancárias de que eram cotitulares", apenas para este fim.

O processo encontra-se em fase de recurso da sentença.