Os dois principais arguidos num processo por extorsão e rapto de um empresário de Famalicão, em fevereiro de 2013, negam a prática daqueles crimes, assumindo um deles apenas agressões à vítima, na sequência de uma discussão.

O processo tem quatro arguidos, que se remeteram ao silêncio no início do julgamento, mas o Ministério Público requereu a audição dos depoimentos dos dois principais perante o juiz de instrução criminal, em abril.

Naqueles depoimentos, hoje reproduzidos em tribunal, os arguidos, ambos em prisão preventiva à ordem deste processo, assumiram que marcaram um encontro com o empresário para conversarem sobre uma alegada dívida de 75 mil euros que ele teria para com um antigo sócio.

Negaram, no entanto, que tivessem ido com intenção de bater ou de extorquir, bem como que tivessem raptado o empresário.

Um deles admitiu que, num «ato irracional», e na sequência de uma discussão com troca de insultos, foi «agressivo» para com o empresário, batendo-lhe.

Os factos remontam a 16 de fevereiro, quando a vítima, de 35 anos e empresário do ramo automóvel e equipamentos de telecomunicações, foi, segundo a Polícia Judiciária (PJ), «astuciosamente atraída para um encontro em local predeterminado, com vista a tratar de um alegado assunto do seu interesse pessoal».

Quando ali compareceu, e ainda de acordo com a PJ, o empresário foi «prontamente» confrontado por três capangas com a necessidade de saldar uma alegada dívida de 75 mil euros a um ex-sócio.

Face à sua negação da dívida e resistência, a vítima acabou por ser «brutalmente agredida e ameaçada», ameaças essas extensivas a alguns seus familiares diretos.

Depois, o empresário foi forçado a conduzir a sua própria viatura automóvel até um outro local, sempre sob escolta de alguns dos autores, onde foi novamente agredido e posteriormente abandonado, «em estado de semiconsciência».

Os arguidos, detidos em abril, são o ex-sócio da vítima e os três alegados operacionais dos crimes.

Entre os arguidos está um dos envolvidos no violento assalto ao Museu do Ouro de Viana do Castelo, em setembro de 2007.

Na altura, este arguido estava em liberdade, a aguardar o desfecho do recurso apresentado no Tribunal Constitucional, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter fixado a pena em 14 anos e meio.

Esta pena, entretanto, já transitou em julgado.

Dois possuem já «muito graves» antecedentes policiais e criminais, estando a aguardar julgamento em prisão preventiva.

Os arguidos respondem pelos crimes de extorsão, rapto e coação.