O Tribunal de Faro decidiu hoje adiar para 03 de junho a sentença do empresário algarvio acusado de sequestrar a filha em 2012, considerando ser importante relevar 46 factos que indiciam uma alteração na posição inicial.

“O Tribunal achou relevante perceber o que se passou depois da separação” do casal, afirmou o juiz, acrescentando ser importante analisar todos os factos já relatados no Tribunal de Família e Menores e uma série de emails enviados.

O juiz responsável pelo caso entregou à acusação e à defesa um despacho de 27 páginas com 46 factos que indiciam alterações à forma como o caso era visto até agora, tendo dado até 03 de junho para as partes o analisarem.

“O que me interessa é voltar a estar com a minha filha, que já não vejo desde 2014”, disse o empresário algarvio Filipe Silva, à saída da sala de audiências.

Os factos remontam a setembro de 2012, quando, depois de passar férias com a filha, fruto de um relacionamento com a irlandesa Candice Gannon, o empresário não cumpriu a decisão do tribunal de entregar a menina à mãe, que vivia na altura na Madeira.

Só em fevereiro de 2013 é que a menina, mais conhecida por Ellie, na altura com 8 anos, foi entregue às autoridades pela avó paterna, já depois de Filipe Silva ter sido detido pela Polícia Judiciária.

Durante aproximadamente sete meses, o pai terá vivido no Porto com a menina, que agora reside na Irlanda com os irmãos, a mãe Candice e o atual marido desta, Philip Gannon.

Na primeira sessão do julgamento, as testemunhas de defesa relataram que o pai de Ellie terá agido por desespero, por não concordar que a filha fosse para a Irlanda e porque esta lhe teria dito que não queria lá viver em permanência.