O presumível homicida de S. João da Pesqueira, conhecido como Manuel “Palito”, conhece esta quarta-feira de manhã a decisão do tribunal de Viseu.  "Palito", recorde-se, está acusado de ter matado duas mulheres e ferido outras duas, em 2014, 
 

À entrada do tribunal, Manuel Rodrigues, advogado de "Palito" assumiu "estar desiludido" porque o tribunal "não deu o benefício da dúvida" ao seu cliente. "O tribunal não olhou para os novos elementos probatórios com uma alma lavada", explicou.


Não tem dúvidas da pena que o seu constituinte irá apanhar e já lho disse. "Ele respondeu-me 'seja o que Deus quiser'".
 

Confessa ainda que "queria entender o que é que leva um homem a fazer aquilo que ele fez". Conhece-o "há um bom par de anos" e, para si, isso "ainda é uma incógnita".


Recorde-se que Manuel Baltazar terá disparado uma arma tipo caçadeira contra a filha e a ex-mulher (Sónia Baltazar e Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas) e duas familiares desta (a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que morreram). 

Além dos quatro crimes de homicídio qualificado (dois dos quais na forma tentada), o arguido está acusado de um crime de detenção de arma proibida e outro de violação de proibições ou interdições. O Ministério Público pediu, em junho, pena máxima para o homem. 

A leitura do acórdão já esteve marcada duas vezes, mas foi adiada devido a uma “alteração não substancial” dos factos relacionada com o número de disparos, que levou a que, na terça-feira, três peritos tenham sido ouvidos em tribunal para prestar alguns esclarecimentos.

Um deles foi Luís Silva, elemento da PJ de Vila Real que recolheu vestígios dos crimes, ocorridos em Valongo dos Azeites, que confirmou a existência de quatro disparos, mais um do que admitiu Manuel Baltazar.

Durante o julgamento, o advogado Manuel Rodrigues tentou demonstrar que "Palito" atingiu inadvertidamente a filha, com o disparo que se destinava à ex-sogra.

Na terça-feira, durante as alegações complementares feitas após os depoimentos dos peritos, a procuradora do Ministério Público disse ter reforçado a convicção de que Manuel Baltazar “quis efetivamente matar ambas" e voltou a pedir a pena máxima de 25 anos de prisão.