O Tribunal de Loures condenou esta segunda-feira dois homens, a 18 e 22 anos de prisão, pelo homicídio de um terceiro em janeiro de 2015, em Odivelas, por causa de um negócio de droga.

Neste processo estavam pronunciados três arguidos, pelos crimes de homicídio e roubo qualificados, sequestro e tráfico de droga, sendo que um deles acabou por ser absolvido, pelo facto de o tribunal ter concluído que não esteve envolvido em nenhum deles.

De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso, a vítima tinha consigo dois quilogramas de canábis, que pretendia negociar com dois homens, irmãos, uma vez que sabia que estes se dedicavam à venda de estupefacientes.

Contudo, o negócio não se concretizou nessa noite, porque a vítima estava com um amigo e os arguidos pediram-lhe que voltasse no dia seguinte, mas sozinha.

Assim, na noite de 16 de janeiro, enquanto um ficou em casa a guardar a droga, “os dois outros elementos, após atarem as mãos e os pulsos da vítima, obrigando-a a entrar na sua própria viatura, conduziram por um caminho de terra batida", descreve a acusação. Um dos arguidos levou o automóvel da vítima e outro seguiu na sua viatura.

Chegados a um local de difícil acesso, "retiraram Alexandre Sousa do carro e mantiveram-no manietado, tendo um deles efetuado dois disparos na direção da cabeça da vítima, que viria a falecer no dia seguinte", segundo o MP.

De seguida, os dois homens conduziram cerca de cinco quilómetros, até Almargem do Bispo (Sintra), onde regaram a viatura da vítima com gasolina e lhe atearam fogo.

Durante a leitura do acórdão, que se realizou na Instância Central Criminal de Loures, a presidente do coletivo de juízes classificou este crime de "chocante".

"Este indivíduo foi claramente executado. Houve um enorme grau de violência, de insensibilidade. Foi de uma frieza de alma e de espírito", afirmou a magistrada.

Nesse sentido, o tribunal decidiu condenar um dos homens, que foi considerado o mentor do homicídio, a 22 anos de prisão e o outro a 18 anos.