A atriz Sónia Brazão, acusada de libertação de gases asfixiantes por conduta negligente com intenção de se suicidar aquando da explosão do seu apartamento, em 2011, conhece esta sexta-feira a sentença no Tribunal de Oeiras.

O Ministério Público pediu uma pena de prisão não inferior a quatro anos para Sónia Brazão, por considerar que ficou provado que os bicos do fogão foram ligados propositadamente para expelir gás «com o propósito de fazer explodir a sua habitação e a dos vizinhos».

Para a procuradora do Ministério Público, «apenas se aceita a suspensão se tiver acompanhamento médico psiquiátrico por todo o período que for determinada a suspensão».

Já a defesa da atriz considera que as dúvidas sobre o que aconteceu no dia da explosão «não foram esclarecidas» e que tudo se tratou de «um lamentável acidente» e pede a absolvição de Sónia Brazão.

O advogado contestou ainda a tese do Ministério Público segundo a qual a atriz pretendia pôr termo à vida, alegando que Sónia Brazão «é uma pessoa positiva», que se envolvia com a comunidade que a rodeia.

A leitura da sentença está agendada para hoje às 14:00, no Tribunal de Oeiras.

A 03 de junho de 2011, uma explosão ocorrida no 4.º andar do número 73 da Avenida da República, em Algés, na casa da atriz, causou dois feridos e provocou estragos em dezenas de viaturas e várias casas vizinhas.

Segundo os exames toxicológicos realizados ao sangue e à urina, a atriz acusou, um dia após a explosão, 0,98 gramas/litro (g/l) de álcool no sangue, além de substâncias canabinoides, opiáceos e benzodiazepinas (ansiolíticos).

Perante estes dados, os responsáveis pelas análises concluíram que a arguida, no momento do incidente, teria uma taxa de 4,27 g/l de álcool no sangue.