A criminalidade violenta e grave desceu 0,6 por cento no ano passado, face a 2014, mas o crime de roubo a farmácia subiu quase 70 por cento, indica o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

Segundo o RASI de 2015, entregue esta quinta-feira na Assembleia da República, a criminalidade violenta e grave registou um decréscimo de 0,6 por cento no ano passado, tendo as forças de segurança registado um total de 18.964 participações, mais 124 ilícitos do que em 2014.

Em termos de criminalidade violenta e grave, os crimes que mais subiram foram os de extorsão (mais 45,6%), roubo por esticão (mais 1,6%) e roubo a farmácia (mais 67,9%).

O RASI adianta que, em 2015, registaram-se 313 participações do crime de extorsão, mais 98 do que em 2014, 5.704 queixas de roubo por esticão (mais 91) e 94 registos de roubo a farmácia (mais 38).

Por sua vez, o crime de roubo em edifícios comerciais ou industriais desceu 14,3 por cento, no ano passado, face a 2014, num total de 521 participações (menos 87 registos), e o crime de ofensa à integridade física voluntária grave registou um decréscimo de 13,5%, totalizando 469 participações (mais 73)

Também o crime de roubo na via pública, exceto por esticão, desceu 0,8 por cento em 2015, registando 7.037 participações, menos 60 do que em 2014.

Os roubos na via pública, roubo por esticão, resistência e coação sobre funcionário representam, no seu conjunto, são cerca de 77% da criminalidade violenta e grave registada em 2015, indica ainda o relatório.

A criminalidade geral participada às forças de segurança aumentou 1,3% no ano passado face a 2014, tendo contribuído para esta subida os crimes de fogo posto em floresta, burla informática e contrafação e falsificação de moeda, segundo dados oficiais.

 

Participações aumentaram

O Relatório Anual de Segurança Interna indica que a criminalidade geral participada aumentou 1,3 por cento (%), tendo-se registado mais 4.721 participações do que em 2014, num total de 356.032.

No âmbito da criminalidade geral, os crimes mais registados pelas forças de segurança em 2015 foram os de incêndio/fogo posto em floresta, mata, arvoredo ou seara, que sofreram um aumento de 106,2%, burla informática e nas comunicações (mais 73,7%) e contrafação, falsificação de moeda e passagem de moeda falsa (mais 34%).

Segundo o RASI, em 2015, as forças de segurança registaram 9.988 participações de incêndio/fogo posto em floresta, mata, arvoredo ou seara, representando mais 5.145 registos do em que em 2014.

Os crimes de burla informática e nas comunicações totalizaram 7.830 queixas, mais 3.322 do em 2014, e o de contrafação, falsificação de moeda e passagem de moeda falsa contabilizou 5.739, mais 1.456 participações.

Já os crimes que registaram uma descida no ano passado em termos da criminalidade geral foram os de furto em residência (menos 16,2%), furto em veículo motorizado (menos 9,1%) e furto de metais não preciosos (menos 21,9%), adianta o documento.

De acordo com o RASI de 2015, as forças de segurança registaram 16.186 participações do crime de furto em residência, com arrombamento, escalamento ou chave falsa, uma redução de 3.126 registos face a 2014 (menos 16,2%).

O crime de furto em veículo motorizado desceu 9,1 por cento em 2015, tendo as polícias recebido 25.360 participações, menos 2.534 do que em 2014, enquanto o de furto de metais não preciosos diminuiu 21,9%, num total de 6.604 queixas, menos 1.847 registos.

Quanto a ocorrências registadas pelas forças de segurança em ambiente escolar aumentaram 6,2 por cento, no ano letivo 2014/15, face ao anterior, para um total de 7.110 casos.

Há registo de 140 ofensas sexuais e 104 de posse ou consumo de droga, 68 por posse ou uso de arma e 30 de ameaça de bomba.

A maioria das situações reportadas no âmbito do programa Escola Segura (67%) são de natureza criminal.

Porém, os atos de natureza criminal, que totalizaram 4.768 situações, baixaram 1,8% em relação a 2013/14, de acordo com o documento entregue na Assembleia da República.

No interior da escola, verificaram-se 3.400 ocorrências de natureza criminal, mais 76 do que no ano anterior (2,3%). Por outro lado, no exterior dos estabelecimentos de ensino, a PSP e a GNR registaram 1.368 casos, menos 162 do que em 2013/14.

A grande maioria dos casos aconteceu dentro da escola e o principal motivo foi ofensa à integridade física (1.608), seguindo-se o furto (1.261), injúrias e ameaças (688) e vandalismo ou dano (275).

O distrito de Lisboa surge no relatório com 2.866 casos, seguindo-se o do Porto (1.270) e Aveiro (503).

Logo a seguir está o distrito de Setúbal (492), Faro (371), Braga (269), Coimbra (180) e Leiria (170).

 

Criminalidade de grupos e jovens a baixar

As autoridades registaram uma diminuição de 11,5 por cento nas participações por delinquência juvenil, no ano passado, e de 4,4% para a criminalidade praticada por grupos, revela o Relatório Anual de Segurança Interna 2015.

A criminalidade grupal mantém a tendência de decréscimo que se vem observando nos últimos anos, registando-se uma diminuição de 279 participações”, lê-se no relatório hoje entregue na Assembleia da República.

Já a delinquência juvenil, que “tem vindo a comportar-se ao longo dos anos de forma alternada”, teve menos 276 participações, o que representa um decréscimo de 11,5%.

No total, em 2015, verificaram-se 2.117 situações relacionadas com delinquência juvenil e 6.069 com criminalidade grupal.

 

Corrupção originou abertura de quase 650 inquéritos

Um total de 647 inquéritos relacionados com o crime de corrupção foram iniciados em 2015, verificando-se os números mais altos em Lisboa (87), Braga (76) e Porto (73), revela o relatório.

O mesmo relatório adianta, relativamente ao crime de corrupção, que o maior número de inquéritos findos ocorreu nas comarcas de Lisboa (67), Porto (64) e Lisboa Oeste (45), enquanto o maior número de acusações foi proferido nas comarcas de Lisboa (5), Lisboa Norte (5) e Coimbra (3).

Quanto aos inquéritos por corrupção, 30 findaram por acusação, 296 por arquivamento e 174 por outros motivos.

No âmbito da criminalidade económica e financeira, o RASI registou ainda 190 inquéritos abertos por branqueamento de capitais, 105 por participação económica em negócio e 393 por peculato.

 

Quase 2 mil portugueses presos no estrangeiro

Mais de 1.700 portugueses estavam detidos no estrangeiro, no ano passado, tendo sido deportados 413 cidadãos, principalmente do Canadá e do Reino Unido.

De acordo com os dados do RASI, 1.776 cidadãos portugueses estavam presos em países estrangeiros a 31 de dezembro de 2015, sendo que este valor pode não refletir o número total, já que a informação diz apenas respeito aos detidos que se quiseram dar a conhecer aos serviços consulares.

Este número representa um aumento de 118 casos, relativamente a 2014.

Relativamente aos países, 580 portugueses estavam detidos em Espanha, 245 na França, 236 no Reino Unido e 167 no Brasil.

 

Quantidade de heroína apreendida aumentou 202% e de 'ecstasy', 609%

As apreensões de drogas ilícitas registaram, em 2015, um aumento das quantidades apreendidas no tocante à heroína (202,22%), cocaína (62,22%) e 'ecstasy' (609%).

Quanto ao haxixe, registou-se uma diminuição acentuada das quantidades apreendidas (92,63%), realidade a que não será alheio o facto de, durante 2015, os traficantes terem privilegiado a introdução de grandes quantidades de haxixe na Europa, através do mar Mediterrâneo, em detrimento da costa portuguesa.

Quanto ao número de apreensões efetuadas, comparando com 2014, verificara-se aumentos de 9,42% na heroína, 2,76 na cocaína, 19,64% no haxixe e 23% no ‘ecstasy’.

Durante 2015, foram detidas 5.566 pessoas por tráfico de droga, sendo 508 mulheres. O número de detenções registou um aumento de 27,63% face a 2014.