Mais de 78 mil idosos estão a viver em lares, segundo os dados mais recentes do Instituto da Segurança Social (ISS), que revela também que existem mais de 76 mil pessoas a usufruir de apoio domiciliário.

O Dia Internacional do Idoso assinala-se no próximo dia 01 de outubro e uma análise às várias respostas de apoio social da Segurança Social disponíveis para quem tem mais de 65 anos mostra que uma grande fatia dos idosos em Portugal está em estruturas residenciais, mais conhecidas por lares.

Segundo os dados mais recentes, atualizados a 24 de abril, existem 78.104 idosos em lares, enquanto outros 76.188 usufruem de apoio domiciliário.

«Na resposta social Estrutura residencial para idoso, o número de acordos de cooperação tem vindo a aumentar significativamente», revelou o ISS, apontando que em julho de 2014 havia 1.490 acordos, contra os 1.347 assinados em 2011.

Relativamente às restantes respostas sociais, o ISS adianta que 42.693 pessoas usam os Centros de Dia, outras 20.235 os Centros de Convívio, enquanto 172 usufruem dos Centros de Noite.

Já no que diz respeito ao acolhimento familiar, havia 727 pessoas em 2013 abrangidas por esta resposta social, que passa por integrar, temporária ou permanentemente, pessoas idosas em famílias capazes de lhes proporcionar um ambiente estável e seguro, tal como explica o ISS.

De acordo com o ISS, tem-se registado «um aumento claro e significativo quer no alargamento do número de vagas das diferentes respostas sociais, quer na sua diversificação» e revela que essa tem sido igualmente a tendência na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

«Em 2013 registavam-se 6.650 vagas, o que corresponde a um aumento de cerca de 11% do número de vagas comparativamente ao ano anterior», diz o ISS.

A par do aumento do número de acordos de cooperação, o ISS diz que tem havido também um aumento da comparticipação financeira por utente/mês, que passou de 347,31 euros em 2010 para 358,55 euros em 2014.

A este valor acresce ainda uma comparticipação para os idosos que se encontrem em situação de dependência de 2.º grau de 66,6 euros e um suplemento de mais 46,65 euros por utente/mês quando a frequência de pessoas idosas nesta situação for igual ou superior a 75% dos utilizadores.

O ISS destaca ainda que em 2013 houve um investimento de 500 milhões e 200 mil euros na área dos idosos, depois de em 2011 terem sido 483 milhões e 200 mil euros.

O problema do isolamento

A administradora da ação social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apontou o isolamento como o principal problema de quem é idoso e vive na capital, defendendo a interação entre gerações como solução.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional do Idoso, que se assinala a 01 de outubro, Rita Valadas afirmou que o principal problema de quem é idoso e vive na cidade de Lisboa é o isolamento e, consequentemente, a solidão.

Segundo a responsável pela ação social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), a capital do país tem uma percentagem muito elevada de pessoas com mais de 65 anos, o que faz dela a cidade mais idosa da Europa.

Para Rita Valadas, «há um alheamento da cidade em relação às pessoas e um alheamento das pessoas em relação às suas necessidades», o que faz com que muitas pessoas idosas se isolem de forma inconsciente e se afastem dos serviços disponíveis.

«Os idosos não têm de viver como se vivessem num asilo alargado, onde só se encontram com pessoas idosas porque isso também não é natural na vivência ao longo da vida e cabe aos jovens perceber que há problemas que eles não sabem resolver e que os idosos podem ajudar», defendeu.

Na opinião da responsável da SCML, a «cidade está cada vez mais isolada dessas realidades» e deixando os idosos isolados em casa, algo que seria «impossível» acontecer numa aldeia.

«No espaço rural, isto dificilmente aconteceria porque nas zonas rurais eles mantêm o paradigma das famílias que ainda estão juntas, paradigma que as cidades já abandonaram», explicou.

Nesse sentido, defendeu que a solução pode e deve passar pela interação entre as gerações mais velhas e as mais novas, onde possa haver uma troca de competências que ajude a estimular os mais idosos, potenciando o que deveria ser uma convivência natural.

Lembrou, a propósito, o programa Intergerações, desenvolvido pela SCML em 2012 e que serviu para fazer um levantamento dos idosos isolados na cidade.

Na altura foram feitos mais de 34 mil contactos que resultaram numa base de dados final de 22.679 inquiridos, caraterizada por dois terços de mulheres residentes, na sua maioria (86%), em andares.

Mais de 60% tinha mais de 75 anos de idade, 80% tinha filhos, mas a maioria (66%) vivia na companhia de outra pessoa idosa.

Ainda assim, Rita Valadas notou que a evolução que tem ocorrido nos últimos anos relativamente à forma de estar dos mais idosos levou a que se passasse de uma fase em que se falava muito na capacitação dos idosos, para outra onde eles têm plena consciência dos seus direitos, apesar de às vezes não terem «força para lutar por eles».

Dados relativos à ação social da SCML mostram que, no primeiro semestre de 2014, foram apoiadas 6.690 idosos e houve outras 27.689 que usufruíram do atendimento social.