A consulta pública ao projeto da Câmara de Lisboa para a Segunda Circular, que visa diminuir o tráfego através da reformulação de alguns nós de acesso, termina esta sexta-feira, contando com pelo menos 334 contributos.

O vereador das Obras Municipais da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, afirmou à Lusa que, até quinta-feira, a consulta pública contou com 334 contributos “muito variados” e “divididos por temas”.

O projeto da maioria PS no executivo municipal prevê também a implantação de um separador central maior e arborizado, a redução da largura das vias (onde não se verifica), a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem e do piso, a renovação da iluminação pública e da sinalética e a diminuição da velocidade, de 80 para 60 quilómetros/hora.

Orçadas em 12 milhões de euros, as obras devem iniciar-se em junho, durando 11 meses.

O início do processo remonta a meados de dezembro, quando o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, divulgou a intenção de remodelar esta via que liga a zona oriental da cidade à ocidental, através de alterações no tráfego e de intervenções na iluminação e renovação do separador central.

Dias depois, Manuel Salgado apresentou uma proposta para investir de 10 milhões de euros na Segunda Circular até 2018, contemplando também a colocação de radares para controlo da velocidade de circulação.

Apesar de constar da ordem de trabalhos da última reunião camarária de 2015, a apreciação da proposta foi adiada, com os partidos da oposição (PSD, PCP e CDS-PP) a solicitaram mais tempo para analisar o projeto e para ouvir a população.

Por isso, a autarquia colocou, a 23 de dezembro, o projeto em consulta pública no seu ‘site’, que contou com 250 pronúncias até ao dia 15 de janeiro, prazo que foi depois alargado até hoje.

No início deste mês de janeiro, começaram as críticas. Algumas delas partiram do ex-vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa Fernando Nunes da Silva, que afirmou que a requalificação proposta pela autarquia se trata de “uma operação de cosmética” para disfarçar “o caos” do trânsito.

Algumas entidades como o Automóvel Club de Portugal (ACP), a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), o Partido da Terra (MPT), ou a Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA) também se manifestaram contra o projeto.

Entretanto, os vereadores do PSD e CDS-PP na Câmara de Lisboa informaram que vão votar contra o projeto caso não haja alterações, por considerarem que é feito “à pressa” e terá impactos na circulação automóvel.

Já organismos representativos dos engenheiros, arquitetos e paisagistas ouvidos pela Lusa defenderam que o projeto é uma boa solução porque incide sobre uma via “desurbanizada” a necessitar de intervenção.

Face às críticas, Fernando Medina assegurou em meados deste mês que há mais vozes favoráveis do que contra a intervenção.

O tema foi já debatido várias vezes, estando agendado para segunda-feira um debate alargado na Assembleia Municipal de Lisboa.