O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou esta terça-feira que a Roménia vai extraditar para Portugal os dois principais suspeitos de uma rede criminosa que recrutava pessoas para “mendicidade forçada”.

Este é o último desenvolvimento de uma investigação que permitiu o desmantelamento dessa rede internacional, “que se dedicava a explorar indivíduos em extrema vulnerabilidade, recrutando-os no país de origem e obrigando-os a mendicidade forçada em Portugal”, afirma o SEF em comunicado.

Os factos correspondem ao crime de tráfico de pessoas, segundo aquela polícia, que realizou a investigação “ao longo dos últimos dois anos”.

Os mandados de detenção europeus foram cumpridos pelas autoridades romenas, que concretizaram a detenção dos dois principais suspeitos, cuja extradição para Portugal está em curso a fim de serem de imediato ouvidos pelo tribunal competente”, acrescenta.

Um dos homens “tinha antecedentes criminais e apresenta-se como um indivíduo perigoso”.

Na segunda-feira, o SEF já tinha revelado que, no âmbito da mesma investigação, deteve no dia anterior “dois cidadãos estrangeiros” em Santa Maria da Feira, ao abrigo de um mandado de busca domiciliária à residência dos suspeitos.

Em primeiro interrogatório judicial, para fixação de medidas de coação, o tribunal decretou a prisão preventiva dos detidos, “indiciados pelos crimes de tráfico de pessoas e associação criminosa”.

Entretanto, o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra tinha emitido os mandados de detenção europeus do principal suspeito da rede e de outro “que havia saído de Portugal antes de a operação do SEF ter sido espoletada”, refere a nota hoje divulgada.

Em Portugal, “foram realizadas buscas, dez ações de vigilância, duas detenções, perícias médico-legais e ouvidas cerca de 30 testemunhas”, além de uma vítima ter sido “resgatada antes de a operação de busca e detenção dos arguidos ter ocorrido, tendo permanecido em lugar seguro sob proteção”, adianta a nota do SEF.

As duas pessoas detidas na segunda-feira, em Santa Maria da Feira, “fazem parte de um núcleo familiar suspeito da prática de vários ilícitos criminais, dos quais se destacam o tráfico de pessoas, associação criminosa e ofensas à integridade física”.

Efetuadas na dependência do Ministério Público, as investigações “abrangem a exploração de mendicidade forçada, organizada pelos detidos, servindo-se de cidadãos estrangeiros com deficiências físicas, os quais eram recrutados no país de origem mediante promessas de lucro fácil”, ainda segundo o SEF.