Os refugiados não são motivo de receio para as fronteiras de Portugal e Espanha. As chefias dos serviços de estrangeiros de Portugal e de Espanha afastam a possibilidade de um novo fenómeno de criminalidade decorrente do fluxo de sírios em trânsito. 

“Não estamos particularmente preocupados porque pensamos que não é através disso que possa vir a acontecer o que quer que seja de mal e, portanto, as coisas estão perfeitamente controladas”


A convicção foi manifestada esta quarta-feira pelo diretor nacional adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), José Van Der Kellen, em Bragança, à margem do VIII Encontro Luso Espanhol, que junta, desde a década de 1990, polícias dos dois lados da fronteira para troca de informação e parceria.

A mesma opinião é partilhada pelo espanhol Eduardo Rentero de la Iglesia, chefe da Unidade Central Contra Redes de Imigração e Falsificação. Em Espanha, também está tudo preparado para receber os primeiros refugiados dentro de dias.

“As questões estão a ser todas trabalhadas por um grupo de acompanhamento que está a tratar disso em devido tempo, com a sociedade civil e, em termos de segurança, não há preocupação nenhuma até agora para as pessoas recearem o que quer que seja”, reiterou o diretor adjunto do SEF, citado pela Lusa. 

O tema dos refugiados não constou da agenda de trabalhos, mas, questionados pelos jornalistas, os representantes do controlo de fronteiras responderam prontamente, com um discurso tranquilizador. Isto no dia em que o Parlamento Europeu aprovou mais verbas (1,2 milhões de euros) para a resolução desta crise. O dinheiro será canalizado para os fundos, os programas e as agências envolvidos na crise da migração. 

Já do lado da maior economia europeia, a Alemanha, soou um alerta: o ministro do Interior diz que há afegãos da classe média a entrar na Alemanha, o que "é inaceitável", pelo que terão de regressar ao seu país.

Ao mesmo tempo que as autoridades de Portugal e Espanha desdramatizam a questão, há outros problemas em cima da mesa nos encontros bilaterais, como o que terminou hoje, em Bragança: a criminalidade transfronteiriça ligada à imigração ilegal, tráfico de seres humanos e falsificação de documentos. Com este levantamento, a finalidade é que os agentes de ambos os lados da fronteira ganhem capacidade de prevenção para reagir a determinado tipo de fenómenos.

A criminalidade transfronteiriça que mais preocupa as autoridades são “os casamentos brancos, tráfico de seres humanos e falsificação de documentos e a forma de, como através disso, podem aceder a determinado tipo de garantias junto do Estado português”, como indicou o representante do SEF, acrescentando que as nacionalidades de países africanos lideram esta problemática.

As autoridades dos dois países garantiram que a relação e troca de informação entre ambas “tem resultado muito bem, mesmo em termos de condenações judiciais, com resultados positivos”.