O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras anunciou esta quinta-feira que realizou duas buscas domiciliárias, na Amadora, no âmbito de uma investigação relacionada com maus-tratos a duas crianças que alegadamente terão sido traficadas de Angola para Portugal.

Em comunicado a que a Lusa teve acesso, o SEF adianta que a investigação partiu da sinalização, em moradas diferentes, de duas crianças em risco por maus-tratos e da verificação de indícios de que haviam sido traficadas de Angola para Portugal com recurso a documentos falsos.

Segundo aquele serviço de segurança, as crianças eram «obrigadas a trabalhar em casa dos supostos familiares, que lhes limitavam os movimentos e as castigavam fisicamente».


O SEF explica que teve conhecimento da situação, em janeiro, através da escola que as crianças frequentavam.

De acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, as duas crianças foram de imediato retiradas dos locais de risco, pela intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Amadora, sendo alojadas em instituições de proteção.

O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Tribunal da Amadora instaurou procedimento criminal e delegou a investigação no SEF devido aos fortes indícios da prática do crime de tráfico de menores, acrescenta aquele serviço de segurança.

As duas buscas feitas pelo SEF permitiram confirmar «a situação muito precária em que viviam as menores e possibilitaram a apreensão de documentação e material informático relacionado com a prática dos crimes», refere o SEF.


Em causa estão os crimes de tráfico e de maus tratos a menores, bem como de auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos.

A operação do SEF contou com a colaboração da PSP da Amadora.