O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Garcia, afirmou esta terça-feira que esta polícia passou a dispor de um novo edifício-sede, mas sem resolver os «problemas antigos» do pessoal.

«Este edifício podia ser uma ocasião-chave para uma mudança de ciclo, para um virar de página na PJ, mas estamos apreensivos (...) porque, de facto, temos um edifício novo, mas os mesmos problemas antigos», disse Carlos Garcia.

No dia em que a nova sede da PJ, no valor de 87 milhões de euros, foi inaugurada pelo primeiro-ministro e pela ministra da Justiça, o dirigente da ASFIC admitiu existir um «sentimento misto», porque a obra «é interessante», mas, por outro lado, existe a percepção dos funcionários de que, nos últimos cinco, seis anos, o «único objetivo que existia» era inaugurar o novo edifício, descurando que o «mais importante na PJ são as pessoas».

«A mais valia da PJ, o verdadeiro edifício da PJ, são as pessoas que aqui trabalham», enfatizou Carlos Garcia, observando que «todos os problemas que existem há mais de uma década estão por resolver«.

Nas suas palavras, os funcionários da investigação criminal «continuam a trabalhar à noite de forma gratuita, a ter um trabalho subremunerado e sem perspetiva de carreira», tudo isto aliado à «falta de meios» de vária índole.

Um parque automóvel antigo, um sistema informático obsoleto e um défice de meios humanos e técnicos foram outros aspetos abordados pelo presidente da ASFIC, que alertou para os problemas financeiros que em breve irão surgir com o orçamento que foi atribuído este ano à PJ.