
O Ministério Público acusou o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, de corrupção ativa, o ex-diretor das secretas Jorge Silva Carvalho e João Luís, de acesso indevido a dados pessoais, abuso de poder e violação de segredo de Estado e conclui que «agiram em conjugação de esforços».
A ida de Silva Carvalho para a Ongoing
A acusação refere que, após o verão de 2010, Silva Carvalho avaliou as hipóteses de ingressar na Ongoing, empresa onde já trabalhavam João Alfaro, ex-funcionário do Sistema de Informações e Segurança (SIS) e Fernando Paulo Santos que, com outros administradores e funcionários do grupo e com o arguido, partilhavam sessões, encontros e jantares da mesma organização maçónica, a Grande Loja Legal de Portugal.
Entre 22 e 23 de Outubro de 2010, segundo o MP, Jorge Silva Carvalho negociou com Nuno Vasconcellos a sua contratação pela Ongoing, expondo-lhe o que usufruia nas secretas (quatro mil euros líquidos com carro, motorista, telefone ilimitado, carro para uso privado e combustível ilimitado).
A 23 de Outubro de 2010 acordaram que iniciaria funções em 1 de Dezembro desse ano, garantindo Silva Carvalho ao presidente da Ongoing que tudo faria para o recompensar.
Entre outros aspetos, a Ongoing estava interessada na actividade negocial no contexto da construção de infraestruturas no Porto de Astakos, na Grécia, decorrendo negociações entre Fernando Paulo Santos e Vasco Rato (do lado da Ongoing) com dois empresários russos.
Em finais de Outubro de 2010, Nuno Vasconcellos e Fernando Paulo Santos solicitaram a Silva Carvalho que obtivesse, junto do SIED, informação sobre os empresários russos, tendo sido ativados os meios humanos do serviço e produzida informação detalhada sobre aqueles empresários.
Na posse dos documentos sobre os empresários russos, Jorge Silva Carvalho enviou-os a Nuno Vasconcellos, em 2 de Novembro de 2010, através do seu endereço de correio eletrónico.
Segundo a acusação, Silva Carvalho agiu em execução do acordado com Nuno Vasconcellos e queria provar ao presidente da Ongoing que podia obter, através das secretas, informação relevante para o grupo.
Silva Carvalho pediu a exoneração do cargo de diretor do SIED a 8 de novembro de 2010, tendo, em 2 de janeiro de 2011, iniciado funções na Ongoing, mas manteve contactos regulares com dirigentes intermédios do SIED que promovera ou apoiara e continuou a ter acesso a documentação daqueles serviços.