Todas as albufeiras do país estão agora com mais água do que há um ano, disse o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

“Há uma semana havia ainda albufeiras a sul com menos água do que no ano passado. Hoje isso já não existe, todas as albufeiras têm mais água”, disse o ministro aos jornalistas no âmbito de uma cerimónia para assinalar o Dia Mundial da Água.

O ministro reafirmou também que “a água não vai faltar nas torneias de ninguém este ano”, mas alertou, no entanto, que “vai haver seca” de novo.

Questionado pelos jornalistas o ministro disse que o Governo está “a pensar” na possibilidade de aproveitamento das chamadas “águas cinzentas”, águas que depois de tratadas podem ser utilizadas não para consumo, mas para, por exemplo, autoclismos. “É cedo” para dizer se se vai tornar obrigatório esse aproveitamento, mas é uma questão que está a ser pensada, disse.

Na semana passada João Matos Fernandes tinha dito que as bacias hidrográficas a sul do Tejo, apesar da chuva que tem caído, ainda tinham “menos água do que é comum” para a época do ano.

Ministérios poupam água e ensaiam plano de eficiência hídrica

Os ministérios vão ter um equipamento que fará a leitura “ao minuto” do consumo de água, um plano de eficiência hídrica que se irá estender a todos os edifícios públicos do país, disse hoje o ministro do ambiente.

João Pedro Matos Fernandes falava em Lisboa numa sessão comemorativa do Dia Mundial da Água, quando apresentou o projeto piloto para a cidade de Lisboa no âmbito do “Plano Nacional de Eficiência Hídrica na Administração Pública”.

Esses equipamentos, disse, vão permitir a redução do consumo de água, dando depois um exemplo: se durante a noite não houver uma substancial redução do consumo é porque há uma fuga.

O equipamento permite também, disse, comparar consumos entre cada ministério, e ao longo do ano vai “desenhar-se um programa” para todos os edifícios públicos e alargá-lo a todo o país.

O plano de eficiência hídrica compreende também sistemas de distribuição mais eficientes e procura de formas de aproveitamento da água da chuva sempre que tal for possível.

O Governo pretende ainda aproveitar uma maior percentagem das águas tratadas das ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais), prevendo chegar ao aproveitamento de 20% dessas águas, que podem ser usadas para lavagem de ruas ou de veículos ou para rega de jardins. Hoje a ETAR de Alcântara, em Lisboa, só utiliza 1,5% dos efluentes que são tratados, disse o ministro.

No Dia Mundial da Água o ministro fez ainda referência a dois avisos publicados em Diário da República relacionados com a promoção do uso eficiente da água e financiados pelo Fundo Ambiental.

Um deles, “Água para todos”, tem um financiamento de meio milhão de euros e destina-se a projetos de educação ambiental na área da água, e o outro, “Repensar os rios e ribeiras”, também de meio milhão, relaciona-se com a rede hidrológica e foi explicado pelo ministro assim: “queremos que apareçam associações, autarquias, fundações, que queiram adotar troços de rio e que olhem para eles de maneira cuidada”.

Na cerimónia de hoje, na Academia das Águas Livres, foi também apresentado, pelo presidente da Águas de Portugal, João Nuno Mendes, um estudo que vai ser feito sobre o comportamento dos portugueses face à água e que vai resultar depois numa campanha, ainda no primeiro semestre do ano.

Os resultados do inquérito serão conhecidos em 22 de abril e a campanha lançada a 05 de junho.

João Nuno Mendes apresentou ainda o Portal da Água e salientou a necessidade de aumento da capacidade de armazenamento de água e de redução das perdas.

A secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, também presente na cerimónia, apresentou um ciclo de encontros sobre o Orçamento Portugal Participativo dedicado exclusivamente a projetos ligados à água.

Lembrando que há uma verba de cinco milhões de euros no orçamento participativo nacional a responsável disse que o desafio é incentivar as pessoas a apresentarem propostas interessantes no setor da água e revelou que inclusivamente já há algumas ideias de projetos ligados à dessalinização.

João Pedro Matos Fernandes disse ainda que estão a ser investidos 4,5 milhões de euros em intervenções em rios e ribeiras que foram afetados pelos incêndios do ano passado.