O mês de setembro em Portugal continental foi o mais quente dos últimos 87 anos, classificando-se como extremamente seco.

De acordo com o resumo do Boletim Climatológico disponível no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no mês de setembro o valor médio da temperatura máxima do ar (27,49 graus Celsius) foi superior ao normal e o valor médio da mínima (12,42 graus Celsius) foi inferior ao valor normal, sendo o quinto mais baixo desde 1931”.

No documento, o instituto informa também que o valor médio da temperatura média (19,95 graus Celsius) foi inferior ao valor normal.

Segundo o boletim, o período de 1 a 8 de setembro foi o mais quente do mês, sendo o dia 6 o mais quente, com uma temperatura média de 24,1 graus Celsius (mais 3,9 graus em relação ao normal).

O valor mais alto da temperatura máxima do ar ocorreu no dia 7 de setembro, com 33,1 graus Celsius (mais 6,8 graus em relação ao normal).

O IPMA adianta também que o dia 30 de setembro correspondeu ao final do ano hidrológico 2016/2017 (01 de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017).

"O total de precipitação acumulado neste período foi de 621,8 milímetros (70% do normal), sendo o nono valor mais baixo desde 1931", é referido.

Em Portugal o ano hidrológico começa a 1 de outubro por ser a época em que as reservas hídricas atingem os seus mínimos e quando começa o período chuvoso do ano.

Portugal continental em seca severa

Mais de 80% de Portugal continental encontrava-se em setembro em seca severa, segundo o Boletim Climatológico do IPMA, que caracterizou aquele mês como “extremamente quente”.

De acordo com o boletim, em setembro registou-se um aumento da área em situação de seca severa e extrema.

Segundo o IPMA, a 30 de setembro cerca de 81% do território estava em seca severa, 7,4% em seca extrema, 10,7% em seca moderada e 0,8% em seca fraca.

No final de agosto, 58,9% do território estava em seca severa e 0,7% em seca extrema.

O IPMA classifica em nove classes o índice meteorológico de seca, que varia entre “chuva extrema” e “seca extrema”.

No Boletim Climatológico, o IPMA refere que o “índice meteorológico de seca a seis meses (abril a setembro), escala que reflete o défice de precipitação ao nível da seca meteorológica e agrícola, apresentava a 30 de setembro grande parte das bacias do território na classe seca severa”.

O IPMA justifica que a “conjugação de valores de precipitação muito inferiores ao normal e valores da temperatura muito acima do normal, em particular da máxima, teve como consequência a ocorrência de valores altos de evapotranspiração e valores significativos de défices de humidade do solo”.

No documento, o instituto realça que a 30 de setembro se verificou que em grande parte das regiões do interior e no sul de Portugal continental os valores de água no solo eram inferiores a 20%.

O IPMA informa também que o dia 30 de setembro correspondeu ao final do ano hidrológico 2016/2017 (01 de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017).

“Neste período, o total de precipitação acumulado foi de 621,8 milímetros (70% do normal), sendo o 9.º valor mais baixo desde 1931”, é referido no documento.

O período de abril a setembro, segundo o instituto, foi extremamente seco, com valores mensais da quantidade de precipitação sempre inferiores ao valor médio, pelo que corresponde ao segundo mais seco depois de 2005.

“De realçar que neste semestre o valor médio da temperatura máxima foi o mais alto desde 1931 e o valor médio da temperatura média o segundo mais alto (depois de 2005)”, é referido.

De acordo com os dados mais recentes, a quantidade de água armazenada em setembro voltou a descer em todas as bacias hidrográficas de Portugal continental monitorizadas.

No início da semana, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, admitiu no final da reunião da Comissão de Gestão de Albufeiras o risco iminente de escassez de água nos concelhos servidos pela Barragem de Fagilde, no distrito de Viseu, se continuar a não chover.

A seca já levou o Governo a decretar apoios excecionais aos agricultores para captação de água, nomeadamente nos distritos alentejanos de Évora, Beja e Portalegre e nos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém, banhados pelo Sado.

A próxima reunião da Comissão de Gestão de Albufeiras será realizada, dentro de duas semanas, na Administração da Região Hidrográfica do Centro para "ver que medidas podem ser tomadas para tentar minimizar os problemas".