O mês de julho deste ano ocupa o terceiro lugar na lista das dez situações de seca mais gravosas neste mês desde 1945, com 79% do território em seca severa ou extrema, segundo um especialista do IPMA.

O diretor de Meteorologia e Geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Pedro Viterbo, analisou para a agência Lusa os valores que revelam os estados mais acentuados de seca no final dos meses de julho dos últimos 70 anos em Portugal continental.

A liderar a lista dos meses de julho mais secos está o de 2005, quando a totalidade do território estava em seca severa ou extrema, os dois níveis mais gravosos.

Em segundo lugar, está o julho de 2012, com 84% de seca severa ou extrema, a que se junta 15% de seca moderada.

Os três meses de julho mais secos situam-se no atual século, mas no lugar seguinte, o quarto, encontra-se o ano mais antigo do grupo, ou seja, 1945, quando a seca severa ou extrema se alargou a 77% do país, segundo os dados do IPMA.

Em 1965, a seca chegou a 71% do território e em 1995 metade de Portugal registava esta situação, enquanto em 1992, esta percentagem ficou nos 39%.

O último lugar da lista é ocupado por julho de 1999, quando a seca só chegou a 5% do país.

A escala utilizada pelo IPMA para medir os níveis seca contempla quatro níveis de intensidade: seca fraca, seca moderada, seca severa e seca extrema.

Esta escala baseia-se num índice que tem em conta dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo.

Em 31 de julho passado, 21% do território estava em situação de seca fraca a moderada e 79% em situação de seca severa a extrema.

Neste mês manteve-se a situação de seca meteorológica em todo o território que se verifica desde março.
 

Situação de seca será grave se não chover até fim de setembro


Um especialista do IPMA disse hoje que Portugal continental vai estar em situação de seca nos próximos meses, mesmo que chova mais que o normal para a época, tornando-se preocupante se não se registar precipitação.
 

"Se não houver precipitação até ao final de setembro, começamos o outono com uma situação grave", afirmou à agência Lusa o diretor de Meteorologia e Geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Pedro Viterbo.


"É uma situação preocupante, mesmo com a segunda metade de agosto chuvosa e setembro anormalmente chuvoso, poderíamos, na melhor das hipóteses, baixar para seca moderada e seca severa", acrescentou.

No entanto, o mais provável é que, mesmo com mais pluviosidade acima da média para a época, grande parte do país continuasse em seca severa e extrema.
 

Num cenário com precipitação superior ao normal “temos situação de seca severa e seca extrema em grande parte do território, menos gravosa do que o cenário de precipitação normal, em que todo o país está em seca severa ou extrema", explicou Pedro Viterbo.


Os técnicos do IPMA utilizam a informação histórica para estes meses e elaboram três cenários, sendo o primeiro com base em valores de precipitação muito inferiores ao normal, o segundo com valores próximos do normal e o terceiro tendo em conta chuva muito superior ao normal.

O especialista comentava a situação de seca extrema ou severa que, no final de julho afetava 79% do território continental, enquanto os restantes 21% estavam em seca fraca a moderada, segundo o último boletim climatológico do IPMA.

Na comparação dos seis meses de fevereiro a julho com o período de janeiro a junho, "temos um agravamento da seca e, neste momento, estamos com quase 80% do país com os dois mais altos níveis de seca: seca severa e seca extrema", resumiu.

Quando os técnicos prolongam a análise no tempo até final de agosto, obtêm "um mapa muito semelhante àquele registado até julho".
 

Acerca das consequências da seca, Pedro Viterbo referiu que, "se se materializarem os dois cenários mais gravosos", há a possibilidade de se prolongar o abastecimento de água por autotanques no nordeste transmontano, o que acontece com frequência no verão.


A continuar a seca com a gravidade atual até ao início de outubro, haverá igualmente, segundo o especialista, impacto nas pastagens e possivelmente nas barragens e albufeiras.

Questionado acerca da necessidade de abastecer a população de água em outras zonas, respondeu: "não creio que seja qualquer coisa que se alargue ao resto do país".

Mas, não deixou de realçar uma outra situação que pode ocorrer, "provavelmente mais gravosa que o abastecimento de água".

"Se mantivermos o solo seco, temos condições para ocorrência de incêndios superior ao normal, podemos prolongar a época [de fogos], com incêndios intensos", admitiu.

A análise dos técnicos tem em conta o balanço entre a precipitação e a quantidade de água evaporada do solo. "No início do ano, em princípio, nos primeiros três ou quatro meses do ano, temos maior precipitação que evaporação e nos meses de julho muito maior evaporação que precipitação".

Mas, com menos chuva nos primeiros meses e a evaporação a manter-se no verão, a humidade no solo reduziu-se.