A Polícia Judiciária já formou uma nova equipa para trabalhar nas linhas de investigação identificadas pela polícia britânica sobre o desapacimento da criança inglesa Madeleine McCann, confirmaram responsáveis da Scotland Yard.

Um grupo de seis agentes da delegação de Faro foi formado para assistir a unidade britânica responsável pela «Operação Grange» da Polícia Metropolitana, que está a rever todas as pistas relacionadas com o caso após a intervenção do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes de fazer quatro anos, a 03 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve, enquanto os pais jantavam com um grupo de amigos num restaurante próximo.

"É uma equipa dedicada de pessoas novas. Ultrapassámos a primeira série de obstáculos jurídicos e a investigação está a caminhar na direção certa", saudou o comissário adjunto Marc Rowley, que, durante um encontro com jornalistas maioritariamente britânicos, se esforçou por sublinhar o bom entendimento existente.

Porém, admitiu que as diligências requeridas poderão não ser nem simples nem tão rápidas como o desejado: "São profissionais empenhados, mas que trabalham em quadros jurídicos diferentes", admitiu.

Este responsável espera que a relação entre as duas forças policiais "se fortaleça" e manifestou interesse, "à medida que a investigação progredir", em colocar "um pequeno número agentes em Portugal".

Portugal foi um dos 31 países a cujas respetivas autoridades foi enviada uma carta rogatória com um pedido de assistência relativo a elementos que a polícia britânica deseja ver esclarecidos, relacionados com pessoas ou dados telefónicos.

O detetive inspetor-chefe Andy Redwood, responsável pela equipa de cerca de 37 pessoas a trabalhar neste caso, adiantou que a polícia britânica está a tentar descobrir os proprietários dos telemóveis identificados como tendo estado na zona e altura do desaparecimento.

Esta base de dados relacionada com os telemóveis, afirmou, "já tinha sido observada, mas não ao nível de detalhe" que agora estão a fazer.

Em junho, a polícia britânica anunciou a existência de "38 pessoas de interesse" que deseja questionar, entre os quais vários portugueses.

"São pessoas que se encontravam num raio do local do desaparecimento e de quem há razões para desconfiar. É preciso um pouco mais do que questões circunstanciais", explicou Redwood.

Aos 12 britânicos inicialmente identificados juntaram-se entretanto mais três, que estão já a ser investigados, mas que o inspetor acredita que "possivelmente serão eliminados" em breve da lista.

A Scotland Yard, a trabalhar no caso há um ano, está confiante de ter encontrado "nova informação" relevante, com base nos 40 mil documentos e pistas recolhidos pelas polícias de Portugal, Reino Unido e por oito empresas diferentes de detetives privados.

Por isso, vai lançar um novo apelo televisivo, primeiro na BBC, dia 14 de outubro, e nos dias seguintes em estações da Alemanha e Holanda, estando em conversações para o fazer também na Irlanda.