O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa estimou que dentro de um ano comece a funcionar a unidade de cuidados continuados integrados, com 78 camas, no antigo Hospital Militar da Estrela. As declarações de Pedro Santana Lopes foram proferidas durante a cerimónia de assinatura do protocolo de colaboração que permite criar aquela que será a maior unidade de cuidados continuados e paliativos de Lisboa.

“Estamos a projetar, caso os prazos de licenciamento e normais exigências formais não resvalem, para a abertura deste edifício no final do primeiro semestre de 2017.”

Instalada no Hospital Militar da Estrela, em mais de sete mil metros quadrados, esta será uma unidade de cuidados integrados com 78 camas, distribuídas por 10 quatros individuais e 34 duplos, em seis pisos de internamento e que contemplará ainda um bloco operatório.

A unidade de cuidados continuados integrados funcionará nas instalações do antigo Hospital Militar da Estrela, comprado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em julho do ano passado, por 15 milhões de euros.

Além das 78 camas para cuidados de adultos, a Santa Casa irá ter uma unidade de cuidados integrados pediátricos, uma resposta estruturada que não existe ainda em Portugal, como sublinhou Santana Lopes, o que dará um total acima das 120 camas.

“Não existem cuidados continuados ou paliativos para crianças. Não existe nenhuma resposta, julgo que vai ser a primeira no nosso país, pelo menos com esta capacidade e estruturada como vai ser a nossa”, afirmou em declarações aos jornalistas o provedor da SCML.

Santana Lopes estimou ainda que esta unidade de cuidados integrados venha a dar trabalho a cerca de 600 a 700 pessoas.

O provedor lamentou o tempo que demorou a conversão das instalações do Hospital Militar da Estrela para a Misericórdia, esperando que o mesmo não suceda com outros espaços estatais desativados. A Santa Casa tinha adquirido as instalações do antigo hospital em julho do ano passado por 15 milhões de euros.

“Esperámos algum tempo, entre decisões estatais e burocracias, noutro tempo anterior a este Governo. Faz parte. É preciso alguma dose de paciência e também alguma persistência. Mas não deixa de dar que pensar sobre muitos espaços desativados, ainda propriedade do Estado, e que se espera não levem o mesmo tempo que este para uma eventual reconversão, à luz das prioridades atuais da sociedade contemporânea.”

Santana Lopes entende este projeto como central no trabalho da Santa Casa, lembrando as fragilidades de Lisboa ao nível do apoio à população envelhecida ou mais necessitada.

Também o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, apontou para a “fragilidade acrescida” de Lisboa, em termos de respostas sociais, nomeadamente no que se refere aos cuidados continuados.

“Essa realidade hoje é óbvia e contrasta com o crescimento das necessidades que a Área Metropolitana de Lisboa tem, onde o fenómeno do envelhecimento e do isolamento dos mais idosos é mais marcante”, disse Vieira da Silva, no seu discurso, após a assinatura do protocolo com a SCML.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, apontou igualmente para a “maior carência de respostas” em Lisboa, que motiva por vezes uma sobrecarga nas urgências e até prolongamentos indevidos de internamentos por falta de respostas sociais e de condições das famílias.

Aliás, Adalberto Campos Fernandes manifestou o desejo de que a unidade de cuidados continuados integrados da Santa Casa avance o mais breve possível, de forma poder dar resposta, em 2017, às necessidades em saúde que crescem sempre durante o período de inverno.

As camas que a Santa Casa vai abrir vão juntar-se às da rede nacional de cuidados continuados, atualmente com cerca de sete mil camas.