Um quarto dos doentes que morreram em 2011 tinha uma infeção hospitalar, mas «é impossível» saber quantos morreram por terem sido infetados, segundo dados hoje divulgados pela Direção Geral da Saúde.

De acordo com o relatório «Portugal ¿ Controlo de Infeções e Resistência aos Antimicrobianos», em 2011 registaram-se 11.357 mortes associadas à infeção hospitalar, o que representa 24,30 por cento dos 46.733 óbitos ocorridos por todas as doenças.

O relatório ressalva que «não é possível conhecer a medida exata de mortalidade associada à infeção hospitalar».

«Num pequeno número de casos a morte pode ser devida à infeção hospitalar. Noutros casos, pode não ser a causa mas apenas um fator contributivo para a morte. Noutras ainda, a morte pode ser devida à patologia primária sendo a presença da infeção irrelevante para o resultado final», lê-se no documento.

O diretor do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, José Artur Paiva, revelou que entre nove a onze por cento dos doentes internados adquire ou tem uma infeção hospitalar, quando a média europeia se situa entre os seis e os sete por cento.

O especialista frisou que, enquanto algumas infeções são consideradas inevitáveis - como em algumas cirurgias ao intestino - outras são evitáveis, como para colocação de uma prótese de joelho ou intervenções ao cólon e à vesícula biliar.

Algumas infeções hospitalares têm registado um decréscimo, nomeadamente as infeções associadas a cateter venoso central, as infeções urinárias, as bacteriemias e as pneumonias adquiridas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) e as pneumonias adquiridas em UCI neo-natais.

Em Portugal, «é também elevada a taxa de infeção (oito por cento) e de consumo de antimicrobianos (nove por cento) em unidades de cuidados continuados, nomeadamente relacionados com úlceras da pele».

Segundo Artur Paiva, Portugal tem um problema grave em termos de ter uma elevada taxa de resistência das bactérias a vários antibióticos.

«Temos de ser capazes de ter uma política de utilização de antibióticos mais adequada e passa também por medidas de controlo de infeção, de higiene, higiene das mãos, bom uso das luvas, de isolamento do doente, de forma a que se aparecer uma bactéria resistente evitemos a sua transmissão para o doente que está ao lado», disse.

Em Portugal, o enfoque deve ser em medidas de maior impacto: «Uma política de higiene das mãos adequada, melhorar o respeito dos profissionais pelo seu fardamento, nomeadamente o uso correto das luvas, e precisamos de uma melhor higienização das superfícies à volta do doente, de forma à sobrevivência das bactérias diminuir».

No relatório lê-se que «o número de profissionais alocados às tarefas de controlo de infeção e de assistência à prescrição antibiótica nas unidades de saúde é insuficiente e marcadamente inferior à média europeia».

Por esta razão, os autores recomendam um aumento do número de clínicos afetos a esta atividade ao nível das unidades de saúde e uma crescente influência destas comissões locais na definição estratégica da política da unidade de saúde.