Os técnicos de diagnóstico e terapêutica suspenderam a greve marcada para esta semana na sequência de um compromisso assumido entre Governo e o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêuticas (STSS).

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica deveriam iniciar esta segunda-feira uma greve de uma semana para contestar a desatualização da carreira, a falta de políticas de empregabilidade e as 40 horas de trabalho sem diferenciação salarial.

Num comunicado a que a agência Lusa teve acesso, o STSS anunciou que a greve foi suspensa depois de “intensas negociações” com o Governo, que na sexta-feira à noite culminaram com um compromisso escrito.

De acordo com o sindicato, este compromisso “é relevante porque permite desbloquear os processos negociais, nomeadamente a criação de uma carreira para os profissionais em regime de Contrato Individual de Trabalho (CIT), a definição dos novos regimes de trabalho, a redefinição das competências profissionais e das novas designações profissionais, a regulação profissional das novas licenciaturas”.

Para o sindicato, “este é mais um passo na luta pela dignificação das nossas profissões. Desbloqueado o processo negocial, dá-se um passo determinante num momento de grande complexidade política”.

O sindicato adiantou ainda que a reunião para a conclusão das negociações com o Governo está agendada para 12 de outubro.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica assumem-se como “os únicos profissionais de saúde licenciados, cuja carreira está desatualizada há dezasseis anos, provocando perdas salariais insustentáveis”.

Outro dos aspetos contestados prende-se com os mais de 50% de profissionais em regime de CIT (Contrato Individual de Trabalho), sem qualquer carreira ou instrumento regulador do trabalho.

A “ausência total de políticas de empregabilidade dos jovens licenciados, designadamente nas áreas das ciências biomédicas laboratoriais, da fisiologia clínica e da imagem médica e radioterapia, cujas licenciaturas recentemente criadas continuam por regulamentar em matéria de exercício profissional” é outra das matérias que justificam a contestação dos profissionais.

O facto de “continuarem com a escandalosa situação de praticarem horários de 35 e 40 horas semanais de trabalho sem qualquer diferenciação salarial” e a ausência de diálogo com a tutela nos processos em curso das reformas da saúde são outras das razões invocadas.

Os técnicos superiores das áreas de diagnóstico e terapêutica estão constituídos em 22 profissões, três das quais por regulamentar, e abrangem áreas como as análises clínicas, a radiologia, a fisioterapia, a farmácia e a cardiopneumologia, entre outras, num total de cerca de 10 mil profissionais em exercício nos serviços públicos de saúde.