A taxa de cura dos 365 doentes com hepatite C seguidos no Hospital Curry Cabral, que receberam medicamentos inovadores, situa-se nos 96%, disse esta sexta-feira o diretor do serviço de doenças infeciosas deste hospital.

Fernando Maltez falava durante a sessão solene das Jornadas de Atualização em Doenças Infeciosas do Hospital Curry Cabral, que decorrem em Lisboa, onde expressou o seu otimismo em relação à cura da hepatite C.

“Depois de nos últimos anos termos assistido no nosso serviço a um elevado número de doentes que passavam pela experiência dolorosa de fármacos ineficazes e mal tolerados e, em numerosas vezes, à progressão da doença, o desenvolvimento de antivíricos de ação direta eficazes, com elevadas taxas de cura, significou de imediato uma grande melhoria dos cuidados prestados”, disse.


Esse avanço “gerou em nós e nos doentes uma grande expetativa quanto à possibilidade de estarmos de facto a erradicar uma doença de consequências tão graves” como a hepatite C, acrescentou Fernando Maltez.

Segundo este especialista em doenças infeciosas, desde o acordo entre o Ministério da Saúde e a indústria farmacêutica, com vista à administração dos fármacos inovadores para tratar a hepatite C, foi iniciado tratamento a 365 doentes.

“Ainda é cedo para resultados definitivos, mas os dados de monitorização já disponíveis apontam para taxas de cura acima dos 96%”, disse.

Para Fernando Maltez, “a confirmar-se, a redução da despesa será verdadeira, a terapêutica irá poupar os custos da doença avançada, os transplantes, o consumo de recursos de saúde e irá gerar anos de vida ganhos”.

“Os custos diretos são elevados, mas a redução dos custos indiretos será altamente recompensadora”, acrescentou.

Segundo a monitorização dos tratamentos de hepatite C, disponível no site do Infarmed, foram até ao momento iniciados 5.664 tratamentos com fármacos inovadores. Dos finalizados, 980 estão curados e 43 não.