O ministro da Saúde revelou que os portugueses compram por mês mais de 20 milhões de embalagens de medicamentos e que em 2013 foram vendidas mais sete milhões do que no ano anterior, o que indiciará consumo em excesso.

Falando na comissão parlamentar de saúde sobre política do medicamento, Paulo Macedo afirmou que só quem tem interesses diz que não há medicamentos, já que 20 milhões de fármacos é quanto os portugueses compram por mês.

Paulo Macedo respondia assim a críticas da deputada socialista Luísa Salgueiro, que afirmou que serve de pouco os medicamentos estarem mais baratos se não estão disponíveis nas farmácias.

O ministro aproveitou para referir que em 2013 foram vendidos mais sete milhões de embalagens de medicamentos do que no ano anterior, quando já se tinha registado também um aumento.

«Isto é que não é normal e é preocupante em termos de saúde pública. Daqui a algum tempo, vamos estar aqui a discutir este problema de saúde pública que é o de as pessoas consumirem medicamentos a mais», afirmou, exemplificando com o caso dos antibióticos.

Linha Saúde 24 vai passar a contactar idosos

A linha Saúde 24 vai passar a contactar idosos que possam viver em situações de isolamento e necessidade de cuidados de saúde, anunciou o ministro Paulo Macedo.

No próximo mês, a linha Saúde 24 vai ter em funcionamento um serviço específico de atendimento a idosos, estando previsto um acompanhamento de pessoas que vivem isoladas ou institucionalizadas.

O ministro da Saúde adiantou que, neste âmbito, a linha vai ter uma nova função, além de se limitar a receber chamadas, que é a de «fazer chamada de sua iniciativa».

Paulo Macedo esclareceu que atualmente a Linha Saúde 24 recebe mais de sete mil chamadas, o que se traduz em 95% de chamadas atendidas, valor que está dentro dos limites contratuais e que «está preparada para responder a novas funções, nomeadamente fazendo chamadas de sua iniciativa, não se limitando a atender».

Esta funcionalidade deverá estar a funcionar em abril, tendo acesso a ela pessoas que se inscrevem em termos de isolamento, para serem contactados por parte da linha e terem apoios de saúde.

Por outro lado, podem ter contacto com a linha também por sua iniciativa, acrescentou, sublinhando que este serviço é importante não só para pessoas isoladas, mas também para pessoas internadas em lares.

Medidas para liberdade de escolha dos utentes

O ministro da Saúde anunciou também que serão tomadas brevemente medidas para melhorar a liberdade de escolha dos utentes nas listas de espera, tanto nas consultas externas como nas cirurgias.

«Queremos tomar medidas brevemente para permitir liberdade de escolha nas listas de espera, do SIGIC, nas consultas externas e nos meios complementares de diagnóstico», afirmou.

O ministro alertou, contudo, para o risco de alguns hospitais de proximidade poderem ficar esvaziados de pessoas e de financiamento, o que implicará cuidados especiais.

«Gostaríamos de dar passos neste sentido, mas serão passos muito cuidadosos. Temos que ver como fica a situação dos hospitais de proximidade», para não ficarem sem pessoas e sem financiamento, disse.

O ministro também se debruçou sobre a temática dos cuidados paliativos em crianças.