Os distritos de Aveiro, Leiria e Santarém e os Açores não têm cuidados paliativos e metade dos doentes referenciados morre sem acesso a este tipo de assistência. É o que conclui um  estudo da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).

A propósito do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, que se assinala sábado, a associação divulgou um estudo que se baseou na análise do desenvolvimento destes cuidados desde 1988.

«Até à data, os passos que foram dados em Portugal são residuais para que a integração deste serviço seja uma realidade. Continuam a morrer pessoas todos os dias sem acesso aos cuidados paliativos», refere o presidente da APCP e o principal relator do estudo, Manuel Luís Capelas, citado pela Lusa.

«A oferta de cuidados paliativos é a que mais se distancia das metas inicialmente delineadas, devido à quase total inexistência de equipas comunitárias de cuidados paliativos hospitalares e domiciliários», lê-se ainda no estudo.

Os autores alertam que «a escassez de número e de formação dos profissionais que integram estas equipas, uma referenciação tardia e inadequada e a dificuldade geográfica de acesso» são algumas das causas que contribuem para estes «resultados preocupantes».

A investigação indica que «o tempo de espera dos doentes é de cerca de 40 dias», que «o número doentes referenciados não corresponde à realidade» e que os indicadores de qualidade são «inadequados».

Dados da European Association for Palliative Care, citados pela APCP, indicam que, em 2013, «Portugal estava na cauda nos países da união europeia, com 5.05 serviços por milhão de habitantes». Atrás de Portugal «apenas o Chipre, Grécia, os países de Leste, do Báltico e os da Antiga União Soviética».

O estudo conta ainda com uma análise aos programas de cuidados paliativos nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e no Algarve, a qual apurou «uma redução significativa, não só nos custos para o Estado, como também uma diminuição significativa do número de internamentos hospitalares, idas às urgências, medicamentos e exames».

No Algarve, lê-se nas conclusões do estudo, registou-se uma diminuição de custos para o Estado na ordem dos 3.000 euros por doente nos últimos 30 dias de vida.

«Estes cuidados, só por si, têm impacto positivo na qualidade de vida dos doentes e família, na equipa, nos outros profissionais de saúde das instituições, na forma como se abordam as doenças crónicas, na formação de outros profissionais, na promoção da prestação de cuidados compreensivos e na redução da mortalidade hospitalar», afirmam os autores.