O diretor-geral da Saúde, Francisco George, disse esta sexta-feira, no Funchal, que a mortalidade prematura em Portugal constitui um «problema que muitos ignoram», sendo que 25% das mortes ocorridas anualmente são de pessoas que não atingiram os 70 anos.

«A mortalidade prematura tem entre nós uma magnitude que não podemos continuar a ignorar», salientou Francisco George, na abertura do Congresso Português de Endocrinologia, que reúne mais de 700 especialistas no Funchal até domingo.

O responsável indicou que cerca de 23 mil portugueses morrem todos os anos antes dos 70 anos.

Francisco George realçou que a «a causa das causas» da mortalidade entre os 35 e os 70 anos está na alimentação, a que junta a hipertensão e os problemas relacionados com o consumo de tabaco.

«Há um denominador comum que tem a ver com os comportamentos», salientou, lembrando, por exemplo, que sempre que se ingere um refrigerante podemos estar a ingerir o equivalente a oito pacotes de açúcar.

No decurso da intervenção, o diretor-geral da Saúde apresentou, ainda, dois temas para análise no congresso: a administração de iodo às mulheres no período entre a pré conceção e a amamentação e a falta de ajustamento com a indústria farmacêutica no tratamento da diabetes.

O Congresso Português de Endocrinologia que decorre no Funchal foi organizado pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo e regista um recorde de participantes (750) e de trabalhos apresentados (242).

O presidente do Governo regional, Alberto João Jardim, presidiu à sessão de abertura e aproveitou falar sobre as razões da dívida da Madeira, indicando que resulta dos 500 anos de colonialismo e da retirada constante de dois terços da produção pelo Estado central.

Jardim disse ainda, que face à atual crise, o país «não pode ficar conformado perante o disparate».

«Este país tem de se mexer. Se os partidos do regime não são capazes de dar o salto, temos nós que dar o salto de qualquer maneira. O país não vai ficar prejudicado e não vai ficar sujeito à ditadura dos partidos. É preciso que todos tenhamos capacidade de iniciativa», disse o presidente do governo regional, atualmente em gestão, considerando, porém, que não serão os madeirenses que vão «tomar a iniciativa de alternativas».