O ministro da Saúde sugeriu "ponderação e calma", depois de assistir a uma ação reivindicativa de cerca de 40 profissionais do Hospital Dona Estefânia em defesa da manutenção de um equipamento hospitalar pediátrico em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas, Adalberto Campos Fernandes não se comprometeu com um equipamento pediátrico autónomo, mas considerou que faz "todo o sentido" que haja "uma autonomia do ponto de vista daquilo que é o acolhimento das crianças e dos adolescentes que são internados" no futuro Hospital de Lisboa Oriental.

O ministro referiu que "caberá agora, em sede de programa funcional e de concurso, definir exatamente aquilo que estes profissionais reclamam", e acrescentou: "Esse trabalho irá ser feito. Portanto, eu sugiro que nós tenhamos alguma ponderação e alguma calma".

Esta ação reivindicativa da Plataforma Cívica em Defesa de um Novo Hospital Pediátrico foi dirigida ao Presidente da República, que hoje conviveu com crianças internadas no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, na companhia de "palhaços médicos" da Operação Nariz Vermelho, e acompanhado também pelo ministro da Saúde.

À porta do Serviço de Pediatria Médica, Marcelo Rebelo de Sousa foi confrontado com um grupo de cerca de 40 profissionais que erguiam cartazes com a mensagem: "Senhor Presidente, precisamos de lhe falar. Pedimos 30 segundos".

O chefe de Estado parou para conversar com o pediatra Mário Coelho que, em nome da Plataforma Cívica em Defesa de um Novo Hospital Pediátrico, lhe disse: "Queremos só lembrá-lo que, pela primeira vez num país civilizado, se vai encerrar o hospital de crianças da capital, misturá-las com adultos. Era só isto".

Segundo o pediatra, antigo diretor clínico do Hospital Dona Estefânia, apesar de todos os partidos estarem a favor de se manter "um hospital diferenciado pediátrico" em Lisboa, o atual Governo "vai, pela primeira vez, misturar crianças com adultos no mesmo espaço, com circuitos comuns, com profissionais comuns", no novo Hospital de Lisboa Oriental.

"Acabou o hospital das crianças de Lisboa, depois de 140 anos", lamentou o médico.

"Bom, para já, não, que estamos cá", retorquiu Marcelo Rebelo de Sousa, referindo que já conhecia a plataforma, que tem acompanhado a sua atividade e que está "atento àquilo que dizem".

Em seguida, o ministro da Saúde cumprimentou Mário Coelho e contestou a sua afirmação de que se vão "misturar as crianças com adultos, tudo ao monte", contrapondo: "Não vai acontecer".

Aos jornalistas, o pediatra contestou o ministro, alegando que "o programa funcional é claro em que crianças e adultos têm circuitos comuns, misturados, em que há portas de entradas para uns e para outros que se misturam lá dentro, em que não há diferenciação pediátrica" no futuro Hospital de Lisboa Oriental, que segundo o Governo deverá estar pronto em 2022.

"Médicos de adultos vão passar a tratar de crianças, vamos regredir cem anos na diferenciação pediátrica em Portugal", alertou.

À saída do hospital, o ministro comentou esta ação da Plataforma Cívica em Defesa de um Novo Hospital Pediátrico dizendo que se trata de "uma reivindicação antiga", que no seu entender "pode ser ultrapassada".

"O que está neste momento em causa é o lançamento, em concurso público internacional, da obra do Hospital de Lisboa Oriental, que é uma velha ambição da cidade, e que vai permitir qualificar a oferta hospitalar da cidade de Lisboa. E neste momento o que está em cima da mesa são áreas matriciais, dedicadas às diferentes funções do hospital, nomeadamente a área materno-infantil. Caberá agora, em sede de programa funcional e de concurso, definir exatamente aquilo que estes profissionais reclamam", enquadrou.

Interrogado se assume o compromisso político de manter um hospital pediátrico em Lisboa, o ministro não se comprometeu: "Assumimos o compromisso político de Lisboa ter uma resposta hospitalar qualificada, melhorada, tecnologicamente avançada na área da pediatria na cidade de Lisboa".